A interessante experiencia filosófica de levar uma surra

A interessante experiencia filosófica de levar uma surra

Eu levei uma surra no treino. Eu perdi. Fui nocauteada.

Começo com frases que já vão deixar bem clara toda a natureza desse post.

Muitos vão dizer que é ego ferido eu estar escrevendo isso e provavelmente é, por que foi a primeira vez que eu levei uma surra de verdade num treino de combate. De levar um cruzado na cara e a cabeça girar, sem brincadeira.

Bem, eu acho que dei algum trabalho, gosto de pensar que não apanhei de graça. Mas não sei, não me vi lutando. Só lembro da hora que eu fiz o que  eu sei fazer de melhor que foi dar um chute lateral. Lembro só disso. O resto foi dor pura e tontura. Como derrotada, eu acho, porém que não fui um combate tão nivelado assim. Eu vomitei um pouquinho antes do treino e estou já perto daqueles dias especiais da mulher. Fora que minha adversária usou a técnica de socar na cara, diversas vezes seguidas e fez um duelo corporal, sendo que eu preciso de distancia para chutar – é o que eu melhor faço. Ah, e ela socou na nuca, o que é  proibido.  Não que isso justifique, mas são pontos a se observar.

De qualquer maneira a experiencia de finalmente ter achado alguém pra me dar uma surra me fez ter milhares de conclusões, depois que a dor passou e eu ouvi uma mega bronca da minha mãe por ter apanhado.

A primeira de todas é que agora eu conheço o Muay Thai de verdade.Por que é muito fácil vc dizer que ama uma Arte  Marcial enquanto está por cima, mas o verdadeiro teste é quando vc pega o grosso da coisa – o lado difícil, feio e doloroso. O lado brutal. Foi o que eu peguei hoje. Isso me fez amar ainda mais o Muay pelo fato de conhece-lo completamente. E agora eu dou mais valor ainda a experiencia do UFC e qualquer outro campeonato de MMA. E nunca mais vou subestimar um perdedor, agora que estive do  outro lado da linha.

Depois, eu vi o quanto estou sendo criminosa com meu corpo, em termos de alimentação. Sabe aquilo de “vc é o que vc come”? Então, eu só tenho comido porcaria. Tinha horas que meu corpo simplesmente não obedecia a minha mente, era como se eu estivesse dando ordens a um saco de batata. Nossa, se eu continuar me alimentando mal desse jeito, vou terminar no hospital. Está na hora de me alimentar de uma maneira saudável e perder os cinco quilos que estão fazendo excesso no meu corpo. Se o corpo é um templo, o meu vem sendo profanado. Hora da reforma.

Também compreendi que de alguma forma, em algum ponto da minha mente ou do meu subconsciente, eu busco pela dor “voluntária” como uma forma de auto-punição. Não sei em relação ao que, mas eu busco. É por isso que eu gosto do calejamento. Exatamente por isso. A surra de hoje me fez ver isso. Não sei se é loucura ou sadismo, ou talvez busca por sublimação, mas é um fato. Uma parte de mim quer se auto-punir por alguma coisa. É por isso que me interesso por esportes arriscados (por que o pole dance também tem sua boa dose de dor e de força). É um aspecto interessante de mim que eu nunca tinha parado pra observar.

Além de ser uma surra corporal, foi uma surra de humildade. Aprendi que sou boa, mas que posso e devo melhorar. Vi que tenho tanta, tanta coisa a aprender que é melhor eu começar a me empenhar logo.

Outra coisa, por um acaso ser surrada até quase o nariz sangrar  também te faz ver o quanto a vida é curta e o quanto, em determinados momentos, ou é tudo ou é nada. Na vida, não há meio termo, ou vc vive ou simplesmente  se fode esperando para viver “depois”. Minha mãe me deu uma mega bronca e eu até entendo o lado dela como mãe, mas eu não culpo ninguém pela minha derrota a não ser a minha falta de preparo. Eu estava lá consciente do que estava fazendo. E de certa forma, foi bom. Depois de levar quatro cruzados extra fortes na cara, você sente o valor da vida.

E durante/depois da surra sabe o que tava tocando na minha cabeça. Eu até me espantei, não era a voz do Rei Lagarto James Douglas Morrison nem da fada celta Florence Welch. Era a voz suave, misteriosa e inexorável de Lana Del Rey, com Born to Die.

É claro que tinha gente vendo, mas eu não liguei pra “humilhação” dos olhos alheios. O que doeu mesmo foi o fato de eu treinar há um ano e tudo ser derrubado em alguns minutos.

Decidi emagrecer os 5 quilos e me alimentar melhor, cuidar mais do meu corpo. E me dedicar mais no treino. Como Nina diria, I’ll be perfect.

E claro que vou treinar feito um dragão da Daenerys até o dia em que me sentir preparada para a revanche – para apanhar, para bater, para sangrar. seja como for.

American Beauty – e a ninfeta como veículo de libertação

American Beauty – e a ninfeta como veículo de libertação
Beleza Americana

Beleza Americana

A imagem acima fala mais do que eu jamais poderia dizer, não?

Com certeza, mas como sou chata, vou escrever mesmo assim.

Eu poderia escrever sobre o filme, American Beauty, mas muito já foi escrito sobre o enredo em si, sobre o que é a “beleza” do título, mas dessa vez, não. Dessa vez eu vou lavar a alma, sendo do contra.

Digam o que quiser, mas a ninfeta (Angela Hayes) é a força motriz do filme. E a ninfeta não é a Angela Hayes (não apenas ela). A ninfeta é todo o sonho que Lester constrói ao redor dela. E é sobre isso que eu queria escrever.

A Angela em si é uma menina fútil e mentirosa que em pouco influencia no enredo, mas sua imagem – pura, juvenil, fresca, é o que move Lester a mudar a sua vida. A verdadeira força do filme é a cena ápice – Angela no teto, cercada de pétalas vermelhas, deixando-as cair e provocando Lester com sua magnitude Nabokoviana.

Sim, por que tudo começou com esse radical: Nabokov e sua lendária Lolita.

Lolita (Dominique Swain)

Lolita (Dominique Swain)

 

E falem o que quiser, mas se não fosse pela fantasia criada por Nabokov, American Beuty não seria tão genial. Angela envolta em rosas é o símbolo da perfeição, da juventude, do vigor e de tudo que Lester perdera. Direta ou indiretamente, ela é a maior responsável por todos os fatos. Se não fosse pela cativante fantasia que Angela fez com que Lester criasse, nada daquilo teria acontecido – provavelmente, ele teria vivido até uma idade avançada, com a mesma esposa e totalmente distante de sua filha. Mas quando ele acha aquela fantasia, aquele ideal, é o que faz tudo entrar em movimento.

A ninfeta das rosas vermelhas faz com que peça por peça da realidade de Lester caia, num espetáculo digno do desabar de um castelo de cartas.

E mesmo o despertar de Lester na derradeira cena final não muda  a força simbólica do personagem, pois ela desencadeou todos os fatos até ali. A não consumação do ato é um mero detalhe.

Então, sim, há um milhão de coisas lindas a serem observadas nesse filme fantástico, digno de todos os Oscars e prêmios que levou, mas eu escolhi essa face – A ninfeta – por que de certa forma senti que ela foi desprezada. É, o pessoal foca no “despertar” de Lester da fantasia? Quem liga para o despertar? Se não fosse pela fantasia em si, nada teria acontecido!

Foi a fantasia na cabeça de Lester que fez com que ele decidisse mudar o corpo, se demitir, encarar o quão fracassada era a sua família, que o fez voltar a ouvir Pink Floyd. Foi isso que fez o homem mudar totalmente, foi isso que o fez recuperar  a vontade de viver! Foi – no final das contas – Lolita. Sempre, é Lolita, um pequeno demônio em forma de menina que domina totalmente sua vida.

Talvez eu seja uma fetichista, ex-ninfeta e amante de sonhos. Sim, sou tudo isso.

Mas, oh, quem não fica deslumbrado com o poder da pequena ninfa loura banhada por pétalas vermelhas?

 

Belém, minha Belém

Belém, minha Belém
396 anos de Belém

396 anos de Belém

Hoje minha cidade completa 396 anos de existência.

Esse é um post alienado. Não quero saber de protestos, quero apenas dizer o que minha cidade significa pra mim.

Minha cidade? O que ela é? Ela é uma cidade de miséria, dor, engarrafamento, alagamento, filas nos hospitais. É a cidade de um povo que  sofre, sim, demais, para sempre.

Mas Belém, na minha cabeça, é um mosaico de imagens. O primeiro deles é a minha casa, as pessoas que eu amo. Depois vem o crepúsculo. O crepúsculo daqui é sempre ventoso, embora os dias sejam quentes como o inferno.   E aí vem a revoada dos pássaros na praça em frente a Basílica, quando dá seis horas. A chuva da tarde. O sol iluminando o ver-o-peso. O igarapé no caminho da CEASA. As lombadas das ruas que fazem os ônibus voarem. A igreja de Santo Alexandre resplandecendo na distancia. O pitiu no ver-o-peso. O tacacá aqui na pracinha. O mar de gente inundando as ruas no Círio.

Belém é isso. É o bom, o ruim, o belo e o feio.

Parabéns, minha Belém.

She lives in the city under the sea

She lives in the city under the sea
under the sea

under the sea

She lives in the city

Ela vive na cidade

under the sea

sob o mar

Prisoner of pirates

Prisioneira de piratas

prisoner of dreams

prisioneira de sonhos

I want to be w/ her

Eu quero estar c/ ela

want her to see

quero  que ela veja

The things I’ve created

As coisas que eu criei

sea-shells that bleed

conchas marinhas que sangram

Sensitive seeds

Sementes sensíveis

of impossible warships

de navios de guerra impossíveis

poema de James Douglas Morrison