Feminismo – E como as próprias mulheres atrapalham a Luta do sexo.

Eu não vou escrever um post com toda a longa história feminista, pelo menos não ainda. Mas, basta dizer que eu preciso comentar sobre o feminismo por que ele está presente todos os dias na vida de todos independentes de gênero, classe social ou etnia. Definiu muitas das nuances de nossa sociedade e suas relações… Mas o que realmente interessa, indo ao âmago do assunto e esperando que esse post não soe como uma baboseira que tenta parecer profissional, vamos aos fatos: Ainda HÁ muito o que lutar. MUITO.

Principalmente por que um dos maiores obstáculos do avanço das conquistas femininas é, sim riam, a própria mulher. Ah, vocês podem dizer “Oh, grande coisa!”  Tá isso é óbvio, mas preciso comentar fatos que vejo e que, para mim como mulher, NÃO passarão despercebidos ou sem comentários. Primeiro, vejam as meninas de “minha” geração… Jovens na faixa etária de 10 a 17 anos (Há exceções enormes, digo isso por causa das minhas amigas que são garotas excepcionais e inteligentes, que amo demais) que são padronizadas: Veja o corpo perfeito, veja a mesma face; Aquela que diz: “Sim, eu sou uma beleza do século XXI!”. E, como Pandora diz: “Veja aquela americana, todas as coisas que tem nesse mundo cabe na bolsa que carrega no seu ombro”. Eu não estou fazendo uma propaganda anti-beleza, não, é importante para todos, creio eu, a beleza. Mas o fato é que em muitas das jovens de nossa deplorável geração o corpo e a aparência são tudo. E digo isso pq eu já sofri imensamente com a discriminação de não obedecer a um padrão estético previamente estabelecido. E é tão engraçado vê-las querendo dar uma de “Oh, eu luto pela igualdade feminina!” elas colocam a culpa de toda a inibição feminina do século XXI nos homens. É de rir, sério!

E usam seu corpo, seu ícone divino, para atrair os garotos em geral, babacas da sua idade ou mais velhos, até homens de mais idade  velhos babões e geralmente tem uma capacidade cerebral não muito abrangente e a fama de serem fáceis. Então, aqui entra a frase da Cléopatra de Shakespeare: “Uma só mulher mancha o sexo”. É, eu concordo plenamente.

Outro obstáculo imenso para que a mulher possa conquistar um espaço cada vez maior e transceder barreiras milenares é o comodismo. As brincadeiras como “vou me casar com um homem rico, para me bancar” podem ser engraçadas, mas são perigosas… Pois de uma simples brincadeira pode e nascem fatos concretos… A garota ou mulher que diz isso pode ser séria candidata  a ser uma futura vítima de violência doméstica, já que em sua supostamente engraçada brincadeira está implicito sua submissão e obediência a um homem, se ele lhe “bancar”.

A omissão da violência doméstica também é outro tipo de submissão… Vide Rihanna, linda, famosa, poderosa, apanhando de Chris Brown safadocachorrosemvergonha  . As próprias revistas do público feminino são deprimentes, com algumas exceções, naturalmente: Elas em geral falam de aparência (moda, dietas, e etc), fofoca, homens, sentimentos femininos… Vamos lá pessoal! QUAL É? PQP será que as mulheres não deviam interar-se da Crise Mundial, das Células Troncos, da Escravidão no Amazonas?? é tudo com letra maiscúla, mesmo! Será que não GRANDES EMPRESÁRIAS por trás das empresas de liderança nacional???? Jesus, será que essas revistas, vagas, com raras partes proveitosas, sabem ao menos quem foi a Rainha Elizabeth?? Que foi uma das maiores líderes inglesas e que era, opa!, UMA MULHER! E será que eles ao menos citaram em alguma de suas edições  Jane Austen?? A primeira feminista da Modernidade?? Citaram Joana D’Arc?? Citaram como Nossa Senhora, mãe de Jesus, foi uma grandiosissima mulher e que em muito vai contra o princípio de submissão feminina? Bom, eu acho que a resposta é não. E não estou querendo ser super-nerd, chata ou nada disso, ao contrário, tento ser realista.

Há com certeza grandes exemplos de mulheres desbravadoras e pretendo postá-las aqui, mas por enquanto aqui fica o meu Manifesto de revolta contra esses exemplos que “mancham o sexo”, parafraseando a Cléopatra de Shakespeare. Bom, aqui termina, tenha uma Boa Noite, sai!

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7 comentários

  1. Cris · fevereiro 27, 2009

    Mais do que certo! Esse post foi incrível, disse tudo, Yas! A revolução começa dentro de nós, não depende tanto de fatores externos. Muito bom!

  2. Luana · fevereiro 28, 2009

    *palmas*

    Ótimo texto de estréia Yasmim.
    Realmente a nossa geração perdeu toda a individualidade e o respeito próprio.

    Além de tudo que vc falou, que é a mais pura verdade, ainda temos o fato de sermos imensamente desunidas. Somos maioria, somos mais inteligentes (isso é ciêntifico), e tão capazes quanto qualquer homem. Mas continuamos submissas.

    Pq infelizmente a grande maioria das mulheres vive em “pé-de-guerra” umas com as outras. Dificilmente vemos um homem falar mal de outro homem.

    JA alienação e a falta de preocupação com coisas que vão além do próprio umbigo, é infelizmente um problema da juventude em geral.Como é possivel tanta futilidade junta?

    Bom…Chega de falar…
    Parabéns pelo texto!

  3. Tata · fevereiro 28, 2009

    *thud* Muito bom amiga! Vc escreve bem pacas *.* vais fazer faculdade de jornalismo? huehueh

    Assunto muito interssante tb.. acredita que nem uma hora atrás vi uma notícia falando que a Rihanna voltou com o Chris? Posso com isso?? Loucuraa!

  4. Ane · fevereiro 28, 2009

    Yasmim, esse post foi incrível. Muito bem escrito. Vejo isso quase todo dia. How, e sim, eu sou gorda – Fato. Meus olhos são quase pretos e eu não morro de inveja dos olhos claros de ninguém (ah não ser os do meu irmão… cor-de-mel… cara… *.* Será que existe inveja boa??). Oh, e essas revistas são desnecessária para mim. Ótimo, prefiro mil e mil vezes uma “Mundo Estranho” do que uma “Contigo” ou “Caras”. Pode ser R$ 10,00 mas vale a pena. Adoro a “Mundo Estranho”, de verdade. Houve uma época em que eu adorava a “Capricho”… hoje em dia não perco tempo ou dinheiro com ela. Prefiro ler um jornal. Acho que uma das coisas que salvam a “Capricho” são as colunas do Jerri Dias. Sim, eu gosto, e muito.

    Oh, e, sem esquecer: Odeio, mesmo, aquelas mulheres que invejam as outras. Por exemplo: “Aquela é a menina dos olhos verdes, magra, alta, de cabelos louros! Ah, como eu queria ser ela, os garotos amam ela!” – Estou cansada disso, mesmo. Ano passado, eu passei o ano INTEIRO tendo que aguentar as minhas amigas falando dos seus amores-sem-futuro (paixonites por garotos mais velhos, ou, da sétima ou oitava série *na época, ou no ano passado, eu estava na sexta série*), 5 horas seguidas, sem contar no MSN e, via telefone e torpedos.

    Ah, quanto a minha aparência – sim, eu admito, estou acima do pesso. E, não sou louca por causa disso. Está bem, eu acho que tenho um pouco de Bridget Jones… Mas não conto as calorias que como ao dia. Na escola me tratam como “A gordinha que ajuda na prova de História e Português”. Está bem, eu sou inteligente. Sim, eu tiro entre 9,0 e 10 nas provas de história e português – são as matérias que mais amo. Será que é clássico aquela garota que todos os garotos babam, ser burra e pedir para ser sua amiga só por causa que você é… “gorda e inteligente”? Ah, sei lá. É o que sempre acontece. Não, eu não sou ruim em educação fisíca – é o que parece. Oh, Noemi, desculpe-me, mas vou citá-la. Nas provas de atletismo você, sim, você!, sempre falava “Fran, vê se não cai!”. Lembra que fui EU quem ri de VOCÊ quando caiu DE CARA NA AREIA? Me desculpe se estou sendo chata ou chata, porque é assim que você me… definia. Você, Noemi, uma garota de 15 anos na SEXTA SÉRIE! E, ainda largou os estudos. Belo futuro vejo para você… belo. Bem, isso não tem a ver com o assunto.

    Oh, como sinto falta da minha professora de Geografia. Ela é baixa, gorda, irônica, linda, inteligente e incrível. Uma das pessoas que mais idolatro. E, muitos tem preconceito – ela é negra. Estou fugindo um pouco do assunto, mas, acho que a minha professora de Geografia, a professora Debora, é uma das mulheres mais feministas e, repetindo, incríveis que conheço.

    Yas, mais uma vez, repetindo e sempre: Incrível.

    Ane

  5. Yolanda · abril 26, 2009

    Yasmin, muito bom o texto! Vim visitar seu blog e achei todos os posts ótimos, em especial este e o Algumas Verdades. Parabéns!

    Essa futilidade feminina é um problema que nos cerca e, infelizmente, consegue afetar muitas por aí. Concordo inteiramente com ” um dos maiores obstáculos do avanço das conquistas femininas é, sim riam, a própria mulher”. Um dia desses minha coordenadora da escola chamou as garotas para uma daquelas “conversas”. Teve a infeliz idéia de começar o discurso com “Existem dois tipos de meninas: aquelas que divertem e aquelas que casam”. Meu Deus, como uma EDUCADORA, e sobretudo MULHER, pode dizer isso em frente a uma platéia de MULHERES em desenvolvimento? Fiquei embasbacada, mas assisti ao resto do “sermão” sem protestar. Afinal, remédio ruim se toma de uma vez, mesmo fazendo careta.

    E a maioria dessas revistas adolescentes são realmente rídiculas. Manipulam o público com preconceitos e rótulos da mídia, dando continuidade a essa geração pela qual estamos passando. Por que essas leitoras assíduas não carregam uma Super Interessante debaixo do braço, ou então uma Mundo Estranho?

    Volto a dizer que adorei e artigo, e são garotas como você, Yasmin, que me fazem acreditar que a próxima geração pode se recuperar desses males!

    Beijos!

    Yolanda

  6. Lily · abril 26, 2009

    Bem, Yasmin, acho que você me conhece. Sim, a mesma Lily do Twilight Haters, de onde você achou o blog da Yolanda. Do mesmo blog da Yolanda, achei o seu. Ela me recomendou esse, e bem… devo dizer que estou feliz. Achar coisas boas por aí andam bem raro ultimamente. Nem sei que você gosta do nosso blog ou não… mas bem, eu gostei do seu. Principalmente desse post aqui.

    Porque me faz lembrar (e concordar) que não há machistas piores do que as próprias mulheres. Temos uma história inteira da revolução feminina, linda, mas que, no fim, parece estacionar num estado caótico no qual a própria mulher se prende. Quer dizer… antes, podíamos dizer que eram os homens os opressores. Agora, em quem jogaremos a culpa? Muitas mulheres conseguiram vencer a barreira masculina que nos rodeava. Mas parece que a história acaba aí. E me sinto triste, de verdade. Quer dizer… essa luta toda foi para apenas dizermos que somos dondocas porque nós queremos? Somos independentes deles até quando queremos? Pra mim, essa é pior do que ser repreendida por um homem.

    E ver essas revistas femininas me dá nojo, falei. Tenho a impressão de que eles me acham uma pateta. Bom, parte das leitores, de fato, o são. E muitas vezes, nem se dá conta disso. Mas gostam de se fazerem de mulheres independentes. Quando, no fundo, são escravas de um estilo de vida, quadrado e instituído, e o que fazem serve apenas para ser mostrado, e não para ser vivido. Nessas horas, prefiro as ditas peruas. Elas, pelo menos, assumem o que são. Não ficam por aí se fazendo de guerreira, como muitas.

    Enfim… esse foi mais um desabafo do que qualquer outra coisa. Passei mesmo para dizer que está muito lindo esse seu artigo. Parabéns!

    Beijos

  7. Ane · maio 27, 2009

    Por que essas leitoras assíduas não carregam uma Super Interessante debaixo do braço, ou então uma Mundo Estranho[2] Amo a ME *.*

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