Humanos ou dançarinos?

Are we human?

Or are we dancer?

Human – The Killers

É uma boa questão essa levantada pela magnífica música do The Killers… Somos humanos ou dançarinos? O homo sapiens grita aos quatro ventos e pra quem quiser ouvir que ele foi muito além do andar ereto… Grita por aí que desde a roda ele “descobriu” a física quântica, que ele constriu maravilhas inimagináveis…

Sim, somos explêndidos. Sendo mais que um pouco petulante eu diria que somos a grande maravilha da Criação. Temos um corpo que é a máquina mais perfeita, temos um cérebro inigüalável ao de qualquer espécie… Mas, ao mesmo tempo, somos verdadeiros monstros. O que me faz escrever esse post foram várias coisas que vem acontecendo ao longo da semana… Então eu resolvi me pergunta qual lado do ser humano eu vejo? Qual lado do ser humano eu quero ver? Ou melhor, qual lado do ser humano eu realmente me permito ver.

E é aqui que chego a uma culminante conclusão de minha vida; Os “meus Ros” estavam certos em grande parte. Roland e Rorschach são a dupla de personagens que, junta, chamo carinhosamente de “Os Ros da minha vida”. Lendo Watchmen (é eu viciei, amo total agora), há uma parte que me tocou profundamente. Walter – verdadeiro nome de Rorschach – fala do caso que cuidou, de uma garotinha… Que foi seqüestrada, estuprada e assassinada, além de ter seus ossos arremessados a pastores alemães. E ele mata o assassino dela, joga gasolina e o vê queimar a noite inteira, junto com a casa que foi o antro para a a atrocidade. Mas vou me ater ao momento em que os cachorros foram assassinados – com uma machadada, se não me engano – e Rorschach diz: “Walter foi quem fechou os olhos e disse ‘Jesus’. E foi Rorschach quem os abriu.”. O passado de Walter é conturbado, mãe prostituta, sem pai, vida cheia de violência e agressão sem motivo… E ele criou ao longo dos anos uma visão horrível dos seres humanos, com a qual eu sempre me chocarei.

Mas hoje deparei-me com a terrível verdade… Rorschach estava certo em grande parte. Há realmente seres humanos podres, criaturas mesquinhas e inomináveis que caminham sobre esta Terra escondidos por nomes e roupas, há psicopatas perto de você… Contudo, antes de entrarmos no centro do post, vamos ao primeiro Ro da minha vida, Roland Deschain. Pistoleiro. Cujo sobrenome eu adotei como pseudônimo e que jamais será esquecido ou substítuido e que amo demais da conta. Roland tinha semelhante visão da humanidade, era duro e enfrentou ao longo do curso de sua vida perdas enormes, traições inefáveis, angústias irreparáveis, viu a própria cidade morrer em chamas, viu os amigos todos fenecendo, viu o grande amor de sua vida queimar numa fogueira. Vocês podem imaginar que ele não era um humanista, certo? E não era mesmo. Roland não tinha piedade em quem se interpusesse de forma negativa entre ele e sua missão, salvar seu Mundo da destruição total. E Roland ficou sem amor por um longo tempo. Mas o amor veio, entretanto, essa é outra história…

Mas, mesmo com o amor, ele continuou a ser duro. E sabia ver o coração da grande maioria das pessoas, Roland sabia o que havia no coração envolto por um véu negro de todos os seus inimigos e sabia ver a luz infinita na de seus amigos e alguns familiares. Concluída a menção aos meus dois amados,  se vocês se perguntam por que eu cito dois personagens ficcionais e por que eles são tão importantes para mim independente do que quaisquer maus amados possam falar sobre eu ser uma garotinha boba ou uma avoada eu esclarecerei isso em outro post, algum dia.

 Indo aos finalmentes, após essa enorme explicação inicial, eu sinceramente mudei minha opinião um pouco e creio que grande parte da humanidade, em palavras brutas, é má. E de onde vem essa maldade? Do medo, creio eu. É o medo que nos fez erguer toda uma estrutura social tão demagógica e injusta, pois o homem teme buscar mais. O homem teme buscar o que realmente importa, o homem teme erguer os olhos pro céu e parar de pensar só em dinheiro e lucro, o homem teme erguer seus olhos novamente e, algum dia, ver a verdadeira complexidade da Vida.

 Entretanto há poucas e seletas pessoas nessa Humanidade que não são os dançarinos da ganância e da ambição, marionetes de coisas vagas e sem sentido e tão fáceis de destruir como uma folha o é num temporal. E eu acho que encontrei essas pessoas na minha vida. Os nomes são vários; Deolinda, Leonora, Junior, Alexandre, Allisson, Tayane, Alana, Raissa de Cássia, Larissa, Raissa Priscila, Fabiana, Cristiane, Laura, Mariana, Tamara, Eduardo, Franciele, Ronaldo, Rafael, Sérgio(s), Andreza, Karol, Higino, Heveraldo, Loren, Stephen, Anne… Entre outros que não citei aqui e que peço perdão. Agradeço a Deus agora por reparar o quantos são esses nomes! São pessoas excepcionais, incríveis, da minha família, dos meus amigos, dos meus professores, dos meus autores preferidos, com quem aprendi extremamente, pessoas com quem passei os melhores momentos da minha vida e sem as quais eu nada seria hoje. E essas pessoas são poucas se você for olhar nessa multidão de corpos que se locomove por todas as partes do planeta e que se auto-intitulam de “humanos”. Mas há mais por lá. E é nessas pessoas em que deposito minha confiança. E é por isso que não devemos deixar de lutar nunca, e é por isso que Rorschach está certo em grande parte, apenas. Por que há pessoas que são plenamente confiáveis, que são absolutamente incríveis e com quem podemos simplesmente contar até quando estivermos sangrando na hora da Morte. E Roland teve infinitamente mais “sorte” que Rorschach, pois o Amor voltou e banhou a vida dele como uma onda gigantesca e limpída, trouxe pessoas que lutaram com ele até o último momento.

Talvez esse post soe confuso para muitos, mas eu mesma estou em um momento de grande cansaço e confusão. Mas o que eu realmente quis expressar é que há mais dançarinos que humanos, mas ainda tem humanos. E enquanto eles existirem nada estará perdido. Enquanto eles existirem, haverá luta e mudança para algo melhor e diferente. Por mais que leve milênios, eles podem conseguir mudar. Pois como diz uma das frases preferidas de uma grande amiga minha: “Um pequeno grupo de pessoas pode sim mudar o mundo.”. E para quem ler esse texto, eu encerro-o com um pedido: Seja um humano, não um dançarino. Esforce-se ao menos um pouco para isso, pois o destino do Mundo está em suas mãos. Só depende de você.

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4 comentários

  1. Ane · abril 3, 2009

    Port perfeito, Yas!!

    Eu até fui citada *–* (um minuto se-sentindo)

    Como sempre, Yasmim arrasando com tudo!! Nem sei o que dizer. O.o

  2. Delph (Cris) · abril 3, 2009

    Lindo, Yasmim!
    É incrível o que podemos elaborar através de um simples trecho de música.

    Tudo que você disse é a mais pura verdade. O medo faz com que as pessoas só olhem em torno do metro quadrado que ocupam numa multidão.

    Cito aqui uma frase do Jack Driscoll (Adrien Brody), em King Kong:

    “Esses artistas… Viajam o mundo todo e a única coisa que conseguem ver é um espelho.”

    Isso é a pura metáfora para o ser humano. Pode conhecer todo o mundo, andar por todos os lugares, mas alguns não são capazes de crescerem e evoluir.

    Obrigada por ter me citado, Yas! Vc também é muito especial pra mim!!! T.T

  3. Delph (Cris) · abril 3, 2009

    *Correção: “atores”, não “artistas”.

  4. Tayane · abril 25, 2009

    Sabe, finalmente você entendeu quando eu disse que aquela letra de música falava muita coisa.
    Mas eu não acho que *ou somos humanos ou somos dançarinos*, acho que temos um pouco de cada um deles. Eu sei, uns tem mais de um e menos de outro. Mas, do meu ponto de vista, o homem não é bom ou mau, ele é os dois. E o que define o seu grau de bondade ou de maldade são os seus atos. Eu não concordo, hoje em dia, em julgar as pessoas, por que é realmente muito difícil entender o que levou alguém a cometer tal ato.
    Concordo quando tu citou o medo. Achei perfeito quando tu falou, ou melhor escreveu que o homem teme buscar o que realmente importa, o homem teme erguer os olhos pro céu e parar de pensar só em dinheiro e lucro. Muito bom.

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