A Torre Negra

“O homem de preto fugia pelo deserto e o pistoleiro ia atrás.”.

Este texto contém SPOILERs sobre o enredo da saga ‘A Torre Negra’.

Com esta frase inicia-se a saga de Stephen King, ‘A Torre Negra’. A saga conta a história do pistoleiro Roland Deschain que tem que encontrar a Torre Negra, que sustenta o Universo e é o âmago de tudo que existe.

Imagem da capa norte-americana do último volume

Imagem da capa norte-americana do último volume

Essa é essencialmente a melhor sinopse que pude eu mesma escrever sobre a história, embora seja muito breve, mas o que queria colocar em voga neste tópico não é só qual é a história da Torre, mas também o que esta saga incrível significou para mim e o quanto eu aprendi com ela. Para começar a escrever sobre isto vamos passar sobre alguns pontos; Eu acho rídiculo os “mal amados” que dizem que um livro é só um livro e um filme é só um filme. Não sou extremada, mas sei que um livro é muito mais que um livro, e um filme muito mais que um filme; sinceramente eu nunca li um livro que não tivesse nenhuma mensagem, creio que todo autor ao escrever procura transmitir alguma mensagem através do texto. Falo isso, por que eu mesma escrevo, ficção do tipo ‘Senhor dos Anéis’ e posso garantir que pretendo passar algo através do que escrevi.

O mesmo vale para filmes, HQs, séries… Mas vamos nos reter em filmes e livros, que ramificam vários outros trabalhos. Eu aprendo ao ver um filme, ao ler um livro… Pois sinceramente acho que é isso que todo ser humano deve fazer, aprender e extrair algo de tudo nessa vida. Lembro-me agora de algo que alguém afirmou na comunidade da Torre Negra no orkut: “Não acho que há profunda filosofia no livro do King, creio apenas que ele queira ganhar o dinheiro dele e se divertir. Se você quer filosofia profunda vá ler ‘Crime e Castigo’.”. Bom eu concordei da primeira vez que li isso e segui o conselho, fui ler ‘Crime e Castigo’. É bom, sim, mas, após parar para analisar e refletir percebi que a pessoa que disse isso está completamente enganada. Há muita filosofia na série de King sim; tanto quanto na de Fiódor Dostoiévski, me arrisco a dizer.

Posso dizer que eu aprendi, vivi, chorei, ri, gritei muito… Enfim digo apenas que vivenciei com essa saga tanto quanto na obra de Dostoiévski. E até mais.

Vamos direto a saga, agora que espero ter explanado com clareza minha opinião quanto à obras que leio ou vejo e o que elas significam para mim. O primeiro volume foi esplêndido, embora muitos discordem disso… E o mais engraçado é que o que me fez de fato ler o livro, acima de tudo, foi o prefácio. O modo como estava escrito… Simplesmente parecia que Stephen estava conversando com o leitor, uma conversa como a que você trava com seu amigo no telefone, na escola, no trabalho… E, estimulada pelo prefácio, eu prossegui. E a primeira frase era tão curta, mas expressava tanto que eu simplesmente me fascinei e lembro de tê-la lido várias vezes.

O resto do livro não me decepcionou. Roland me encantou e conquistou meu coração de tal forma desde o primeiro volume, era o anti-herói mais perfeito que eu já havia encontrado. Ele era anti-social, taciturno, desiludido com a vida, bom de briga, bom de bala  bom de cama. Simplesmente era um personagem fantástico além de se encaixar no tipo de homem que eu gosto. O vilão, Walter, o homem de preto era outra grande peça da história, detestei-o desde o primeiro momento, mas a aura do personagem era de tal forma envolvente que eu segui Walter com tanto afinco, tanto desespero e vontade de descobrir os mistérios dele quanto Roland. E o enredo era muito bem escrito, uma história realmente grandiosa capaz de atrair e prender até a última página. E foi assim, me atraiu e me prendeu.

No segundo volume, tudo se tornou ainda melhor, quando parecia impossível. As cenas de ação, o ka-tet (grupo de pessoas ligadas pelo destino) de Roland que apareceu com personagens profundos e fascinantes; Suzannah Dean – uma negra esquizofrênica que lutava contra a discriminação de 1960, Eddie Dean – um viciado em heroína de 1970, cada um com suas próprias histórias e problemas que teriam de enfrentar e superar para juntarem-se a Roland na estrada em direção a Torre.

Não querendo adiantar mais o enredo, apenas digo que faltam dois integrantes do ka-tet; Jake – o “filho” de Roland e Oi – um animal do Mundo Médio que é absolutamente fofo e com um coração de tamanho incomensurável. Vou pular para o quarto livro da saga, ‘Mago e Vidro’, que também foi o que mais me marcou, não sendo necessariamente meu predileto. Roland e seus companheiros cumprem as diversas etapas e avançam no caminho em direção a Torre, mas Roland precisa enfrentar seu passado e resolve contar a seus amigos a história de sua juventude. E de seu grande e único amor, Susan Delgado.

O livro em si tem mais de 800 páginas. Eu o li nas férias, só que eu passava por uma fase terrível devido a mudança de colégio. Vou dizer que fui para um colégio onde eu, na época pouco mais que uma criança de 12 anos, fui humilhada e todos me levavam a crer que por eu ser diferente leia-se o diferente no caso era não ser uma puta sem cérebro, e também estava brigada com minha melhor amiga de uma vida inteira com quem já enfrentara uma série de coisas bem pesadas para duas gurias da nossa idade, sem contar que eu passava por uma crise espiritual extrema. E não conseguia ler, foi desesperador, foi… Inefável. Não tente imaginar como é ter os portões que conduzem ao mundo da leitura selados, é horrível. Eu não tenho como descrever o que era não conseguir ler, era horrível… E eu estava em ‘Mago e Vidro’ e digo que tive de “reaprender” a ler. Foi como aprender a andar novamente, por que eu tinha que recuperar não o fato de não entender aquelas palavras; eu tinha que reencontrar a magia delas. E, após muito rezar, eu consegui. Eu comecei engatinhando, não era mais a Yasmim que lia um livro em um dia, me sentia vitoriosa naquela época pelo simples fato de poder ler algumas poucas páginas. E demorei seis meses para ler o livro completo. E, o que no começo era um inferno, transformou-se em algo delicioso. Eu deitava no sofá sala, colocava o CD do Aerosmith ‘Devil’s Got a New Disguise’ que virou a minha trilha sonora deste volume e lia. E lia. Era… Era espetacular, era emocionante, era… Nem tenho palavras. Apenas posso dizer que eu sentia novamente os cheiros, ouvia os barulhos, via tudo, estava ali novamente. Posso dizer apenas que voltei a Ler. E, quanto ao enredo e personagens em si, eu aprendi a amá-los e ter a paciência devida para os acontecimentos. Então o volume que tinha tudo para ser o pior da minha leitura da ‘Torre Negra’, foi um dos melhores.

Daí vou sintetizar e dizer que a partir do quinto volume a saga se direciona ao seu desfecho. E posso dizer que depois desse desfecho eu chorei quatro dias seguidos. O último volume deixou um pouco a desejar, mas foi excelente mesmo assim.

Digo agora que lendo ‘A Torre Negra’, eu aprendi sobre a diferença entrer perseverança e obssessão com Roland, o mesmo que me fez ver o quanto alguém pode ser prisioneiro do próprio destino. Aprendi sobre o poder do amor e da amizade, os sacríficios e as escolhas… Eu aprendi que nem sempre o caminho mais fácil conduz a um final agradável, aprendi a acreditar no amor… Eu posso dizer que trilhei um caminho lendo ‘A Torre Negra’ repleto de lágrimas, risos, emoções das mais diversas e que no final deste caminho essa saga ficou marcada para sempre em minha alma.

Face your fate, gunslinger

"Face your fate, gunslinger"

Então, concluo aqui este post sobre a maravilhosa e inefável saga de Stephen King, um dos meus autores preferidos. Gostaria de dedicá-lo a minhas amigas: Tayane, Raissa Puente e Alana que estiveram comigo durante o difícil período que passei durante a leitura de ‘Mago e Vidro’. E dizer que meu sobrenome NÃO é Deschain, é o sobrenome do Roland e que eu adotei para mim, como pseudônimo. Esse post foi escrito ao som de Aerosmith, o CD ‘Devil’s got a new disguise’. E encerrarei com um trecho de uma das músicas, que serve tanto para Roland quanto para mim:

“(…)

Teve momentos em minha vida
Em que eu estava indo à loucura
Tentando atravessar
A dor
Quando eu perdí meu controle
E caí no chão
Yeah, eu achei que poderia partir, mas não conseguia sair porta a fora
Eu estava tão doente e cansado
De viver uma mentira
Estava querendo
Morrer
(…)

E quão alto você consegue voar com as asas quebradas?
A vida é uma jornada, não um destino
Eu só não sei dizer o que o acontece amanhã .
“.

 

Amazing – Aerosmith

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7 comentários

  1. Mariana · abril 26, 2009

    Yaaas! *.*

    Guriaa, que post lindo!! Ameei! Sério, me emocionei *-* amo A Torre Negra, e sei o quanto tu ama e o quanto essa história representa pra ti… muito profundo e sincero o que tu escreveu, simplesmente fantástico! Deve ser o efeito Stephen King… ou Roland effect… 😉
    Só mesmo um verdadeiro fã para conseguir escrever uma “sinopse” tão incrível como essa. E só mesmo outros fãs para conseguir apreciá-la tanto quanto eu apreciei.

    ” Face your fate, gunslinger” \o

    Parabéns, e continue assim! *.*

    Beijão ;*

  2. Raíssa · abril 26, 2009

    essa letra da musica Amazing do Aero me defini no momento!!!

  3. Delph (Cris) · abril 26, 2009

    Yasmim, foi incrível!

    Eu tenho muita vontade de ler a “Torre”, mas vou acabar as Crônicas primeiro, estou fazendo elas durarem! xD

    Agora eu tenho a dimensão exata do quanto esse livro significa pra você. Eu também passei uma época muito difícil com a mudança de colégio, também aos 12 anos (de 12 pra 13 na verdade). É duro, mas a gente supera. Tem coisas que eu ainda não superei, mas foi como eu disse naquele post do “Self-Portrait”, citando a rainha Elizabeth, enxergo tudo através de uma parede de vidro. É melhor assim.

    Lindo esse post, parabéns!

    Bju!

  4. Yolanda · abril 29, 2009

    Adorei sua sinopse! Fiquei super a fim de ler!

    Beijos! ;*

  5. Tayane · maio 3, 2009

    Hey eu posso desenhar face your fate?

  6. pedro · outubro 7, 2012

    não sei como vim parar no seu blog, mas realmente os livros são impressionantes!

    Agora faça uma coisa incrivel que eu achei, abra o ultimo livro na ultima página, leia a ultima frase e em seguida, abra o primeiro livro, você irá ver um imenso 19 que até então ninguem presta atenção…

  7. Thiago Deschain · agosto 29, 2014

    Tá de parabéns pela sinopse! Sou um fã do Stephen King, Roland e principalmente da saga.
    Eu tenho todos os livros e HQ’s , tanto como vc, adotei o sobrenome do Pistoleiro.
    É bom ver que não sou o único fã da saga.

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