Vadia? Sim, mas com classe

Há eras não posto por aqui, a dona inspiração, essa madame volátil e bipolar, tem me escapado por entre os dedos. E também, estava cansadérrima. Mas, meu problema se resolveu e hoje após visitar um blog maravilhoso e ler um post fenomenal, que tomei conhecimento através da minha grande amiga, Fabi. Bom, aqui esta o link do post;

http://verbeat.org/blogs/meninanerd/2009/06/vadias-com-classe-e-vadias-sem-classe.html

Vou me inspirar descaradamente nas palavras da autora do texto acima linkado para começar minha própria e humilde parábola sobre o assunto.

“Todo mundo sabe que eu sou adepta e aprovo totalmente a arte de ser uma vadia.”

Eu também. Estou no segmento das que segue a filosofia acima, com muito orgulho e sem vergonha. No conseguinte do texto, a autora especifica as suaves, entretanto fundamentais, diferenças das vadias com e sem classe.

Vadias com classe: “[…] ela se veste bem pra caralho (…), é inteligente, antenada e nunca – NUNCA – desce do salto. Ela é um exemplo típico de vadia com classe: nem um pouco certinha e todos sabem disso, pois ela mesma diz, mas apenas a presença dela a torna a vadia com classe do local, ela não precisa fazer nada pra provar isso.”

Vadias sem classe: “O tipo mais comum, a simples vadia sem classe, é aquela popuzuda do pancadão, aquela mulher fruta qualquer que acha que um short enfiado no rabo é mais sexy que uma lingerie foda por baixo de um trench coat.

[…] 

É aquela que não sabe falar de outra coisa que não seja sexo, aquela que não deixa nada pra imaginação, aquela que mostra a buceta na primeira oportunidade, sem o menor showzinho pra provocar. Sim, essa é a vadia sem classe. Esse tipo também costuma dar atenção demais pra qualquer um, é um fulano qualquer se mostrar meramente de pau duro e a vadia sem classe sai correndo já com as pernas pra cima, se isso fosse possível. Essas além de sem classe são as vadias sem auto estima. Aquelas que não fazem uma seleção, sabe? […]”

Bom, acho que há um meio termo entre esses tipos de vadia, e há também a vadia sem classe que finge ser vadia com classe. Já encontrei muitas dessa na minha vida e, digasse de passagem, elas são piores que as vadias honestamente sem classe. Mas, pulando esses conceitos iniciais, pois não estou aqui para falar de terceiras que não vão ajudar em nada o post, vou começar realmente explicando o meu karma com sexo, sensualidade, sedução e homens.

Sim, vou desvendar o mistério.

Minha amiga, Raíssa, disse uma coisa sobre meu vampiro preferido: “O Lestat é encantador, um ser extremamente sexualizado”, não foram com essas palavras exatamente, mas quase. Bom, acho que isso se encaixa para mim também, na diferença que Lestat é pansexual e eu não, dentre outras coisas. Então, eu, Yasmim Deschain, não nasci assim, ao contrário do que muitos imaginam, mas me tornei assim através de alguns fatos que aconteceram na minha vida.

Dos 12 aos14 eu tive uma paixão platônica terrível, sabe, aquela velha história de se apaixonar por um idiota bonito. E quebrei bonito a cara. Quando me “curei” dessa paixão quase tresloucada, eu me revoltei com o padrão de romance e amor pregados pela sociedade. Sabe, a coisa toda do namoro, fidelidade e tal que só é válida para as mulheres, pois os homens quebram todos esse padrões e muitas continuam no pé deles, venerando-os como deuses. Para completar, descobri que meu pai tinha uma amante, e, antes dos 15, descobri o quão distorcida e dolorosa é a história do casamento dos meus pais. Foi um terror me deparar com o fato que minha mãe passou 40 anos escravizada por um homem que não merecia nem que ela desperdiçasse 10 segundos com ele.

Sim, e foi pior ver que esse homem era meu pai. E foi horrível ver como, sem titubear, meu pai preferiu a amante do que a família, chegou a gritar e brigar comigo e sentir vontade de me bater por causa de uma VADIA SEM CLASSE.

Ai eu me revoltei. Chutei o balde, joguei a toalha, chamem como quiser. E deixei de me importar com um padrão que a sociedade chama de “fácil” ou difícil”, por que o realmente FODA em ser mulher é que, além de, na maioria das vezes, sermos relegadas ao título de meras alegorias masculinas, a gente tem que se encaixar nessa porcaria de padrão maniqueísta quanto ao nosso comportamento sexual, ou você é fácil [dá mole para qualquer um] ou você é difícil [Sabe escolher e não dá mole para qualquer um], o que, se formos por em pratos limpos, não significa nada. Quer dizer que se eu fizer sexo com quatro caras diferentes na mesma semana eu vou me tornar pior do que uma mulher fiel apenas por ser promíscua? Cara, acho que não. 

Não é para quantos abro minhas pernas, por quantos beijo que vão definir o tipo de ser humano que eu sou.

A sexualidade é apenas uma das faces de uma mulher, não a única, apesar do que a sociedade prega. Eu sou mais que uma vagina, eu sou espírito e mente também, então quer dizer que o que tenho por dentro não significa nada?

Parece ser assim para muita gente. Mas para mim não é.

Quem bem se lembra, sabe que o post “Algumas Verdades” é um pouco parecido com esse, mas apenas um pouco, por que aquele texto foi escrito quando eu me encontrava num estado de nervos horrível e uma parte da minha família tinha acabado de desmoronar além do que eu tinha que enfrentar a pressão dos meus antipáticos colegas de sala e, naquela época, eu acreditava em princípe encantado.

Bom, prosseguindo, a partir do ponto em que eu vi as correntes machistas da sociedade quanto ao meu comportamento e consegui me libertar da grande maioria delas, me senti muito melhor.

Então, assumi no que me transformei quase imperceptivelmente, uma vadia. Vamos colocar num vocábulo diverso e vulgar, se assim o quiserem, puta, qualquer, bitch, chamem do modo como quiser, me tornei o tipo de mulher que toma a iniciativa [que se dane o papo de que o homem tem que tomar a iniciativa], que fala muitas verdades sobre sexo e admiti que gosta e comportamento sem constrangimento,  que adora se sentir sensual e provocar, o tipo de mulher que erra com um decotão excessivo ou uma transparência desnecessária, mas não morre de vergonha disso por que identificar o erro é o primeiro passo para repará-lo e, sinceramente, tem gente que faz muito pior que errar no visual e ninguém fala nada, então, que se dane.

Mas, vejam bem, apesar de eu adorar homens, não é para qualquer que eu me faço de provocante. Tem mulheres que são o cúmulo, as vadias sem classe mais excessivas, que dão em cima até do açougueiro velho, pobre e gordo. Ah, isso não, benhe, não MESMO. Eu tenho meu padrão e opto por seduzir homens bonitos, sensuais e/ou interessantes. E a palavra “rico” não entra no meu padrão, por que acho que sou meio masoquista, já que em geral os que me interesso são também pobres.

Eu gosto de flertar, gosto daquele toque deliciosamente proibido, gosto de quando os homens mais difíceis ficam vermelhos ou de quando eles ficam sérios ou por causa da atração intensa ou por que estão escandalizados.

Entretanto, e aqui muitos ou vão rir ou vão me acusar de hipócrita, eu nunca dei um beijo, passei dois anos sendo uma vadia com classe de categoria sem nunca ter beijado. E não tenho medo de admitir, não mesmo.

Não, eu não me considero uma burguesa frustada ou sonsa, apenas quero um homem diferente. E friso que não espero um princípe, só que estou reservando esse momento importante para um cara que me desperte muito mais que mero tesão. Não quero amá-lo, quero apenas ter consideração suficiente por ele para saber que, depois que acontecer, ele não vai ficar marcado na minha mente como mais um. Quero que, nesse meu coração malogrado de Whore from Babylon, esse primeiro seja lembrado como um vão referencial para não deixar de acreditar nos relacionamentos homem e mulher.

Controverso não? Pois digo que me identifico muito com o divino Marquês de Sade, que propalava que todos os homens eram sádicos e que o amor verdadeiro era raro, mas que escreveu “Os crimes do Amor”, uma das mais belas coletâneas de prosa romântica dos últimos séculos.

Não sou vadia de falsete, só sou, como qualque ser humano, admissivelmente paradoxal em alguns pontos. Resumidamente, uma vadia que tenta acreditar no amor apesar dos pesares.

E veja bem, durante esse post todo eu não falei mal do amor. Eu critiquei os relacionamentos humanos românticos moldados em um padrão estabelecido pela nossa sociedade machista, mas nunca meus dedinhos apertaram uma tecla para digitar: “Oh, amor não existe” ou “Oh, o amor é falso”, não incuti ao amor nenhum adjetivo para perjurá-lo ou deturpá-lo. É, eu tento, todos os dias, a cada manhã e a cada noite, acreditar no amor não-exclusivamente-fraternal entre homens e mulheres.

Não sei se consigo e não vou criar preâmbulos sobre. Se um dia chegar a uma conclusão exata  talvez no dia em que alguém conseguir determinar o número pi eu escrevo aqui e compartilho com vocês todas as minhas descobertas. Mas por enquanto não. E também, esclareço que aqui não quero propalar que isso é certo ou aquilo é errado, quero mostrar, justamente ao contrário, que “certo” e “errado” do dia-a-dia são como na Física, dependem do referencial.

Para encerrar, deixo um exemplo de uma “vadia com classe” que foi uma das mulheres mais inteligentes, espertas, astutas, cultas e politizadas que a História já viu. Vos apresento, Ana Bolena.

Ana Bolena real e Ana Bolena em The Tudors, Natalie Dormer.

Ana Bolena real e Ana Bolena em The Tudors, Natalie Dormer.

Ana foi o pivô para a criação da igreja anglicana, cujo lider espiritual é o líder político e que vigora até hoje na Inglaterra, e não foi uma mera laranja inocente, como Helena de Tróia, Ana foi ambiciosa e insistente no mérito de ser rainha, tendo poder e influência ao lado de Henrique VIII, apesar de ter sido decapitada vítima de uma forjada acusação de traição, Ana foi, até seu fim, uma rainha culta, que interferia politicamente com suas opiniões e que pariu a maior rainha que a Inglaterra já teve; Elizabeth I. Elizabeth consolidou o processo de formação da Inglaterra como nação influente e a tornou a mais poderosa potência européia, derrotando a armada mais perigosa de sua época, a espanhola.

Elisabeth Tudor, filha de uma vadia com classe.

Elisabeth Tudor, filha de uma "vadia com classe".

Meu ensaio: Pin up

Meu ensaio: Pin up

É com a frase de Elizabeth que encerro meu post:

“I will have here but one mistress and no master”

“Eu terei aqui um amante e nenhum mestre”

 

Post dedicado a Fabi e a Anna Becker

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9 comentários

  1. Cris · setembro 27, 2009

    Sem palavras! o________________O

  2. anrpa · setembro 27, 2009

    Er, sem comentários, totalmente. Esse foi um dos seus melhores posts, Yas *.* Cada dia melhora *-*

  3. Patrícia Vickmann · setembro 27, 2009

    Parabéns pelo texto Yasmim!!! *___*

    Muito bem escrito! :3

  4. fabi fernandes · setembro 27, 2009

    UAU Yas!!! Nossa, vc fez um belo apanhado de tudo o que eu acredito como mulher e como ser humano.

    […] E quebrei bonito a cara. Quando me “curei” dessa paixão quase tresloucada, eu me revoltei com o padrão de romance e amor pregados pela sociedade. Sabe, a coisa toda do namoro, fidelidade e tal que só é válida para as mulheres, pois os homens quebram todos esse padrões e muitas continuam no pé deles, venerando-os como deuses. […]

    Vivi exatamente isso e me revoltei da mesma forma. E apesar de todo sofrimento não deixei de crer no amor, mas não nesse amor que pregam hoje e que sei que a maioria das pessoas que amo apenas o conhecem. É bem difícil ser extremamente diferente das pessoas, nao só no caráter físico, mas acima de tudo no espiritual, moral (seja lá qual for a moral) e sexual.

    Com maestria você acabou por definir como se sinto em relação a meu interior e a meu atual relacionamento digamos que amoroso:

    […]E friso que não espero um princípe, só que estou reservando esse momento importante para um cara que me desperte muito mais que mero tesão. Não quero amá-lo, quero apenas ter consideração suficiente por ele para saber que, depois que acontecer, ele não vai ficar marcado na minha mente como mais um. Quero que, nesse meu coração malogrado de Whore from Babylon, esse primeiro seja lembrado como um vão referencial para não deixar de acreditar nos relacionamentos homem e mulher. […]

    Enfim, perfeitamente escrito por uma menina novíssima com uma sensibilidade que muitas mulheres morrem sem nem saber que existe.
    Parabéns Yasmim, por ter essa cabecinha feminista sem deixar os instintos básicos da fêmea.
    Espero que nunca caia num sofrimento traumatizante que a faça passar para o lado azul-bebê da força e que deixe de ser BV e vire logo a Bem Vadia que amo e que sei que vai se realizar em todos os sentidos possíveis, profissionais, sentimentas e sexuais.
    Sem esquecer do amor é claro!

    Beijos amor!

    P.S. Estou muito honrada pela dedicatória!

  5. fabi fernandes · setembro 27, 2009

    P.S.²

    A Vadia aqui também tem classe! E um scarpan preto que arrasa nas festas!
    hahahaha

    S2

  6. leandro · setembro 28, 2009

    Aí está uma MULHER de verdade!

    *Orgulho*

    Poucas mulheres tem coragem de dizer ou expressar o que realmente sentem, e as poucas que conseguem merecem PARABÉNS!

    (Além do mega show linguístico né!?)

    Ás vezes tenho medo de fazer par contigo B&Z e ser humilhado pela sua facilidade e maestria na língua portuguesa!

    Vai ser boa assim na casa do BARALHO!!!

    =D

    Te dolo!

  7. Raíssa Puente · outubro 10, 2009

    rimuito;)
    gostei miga.
    :**

  8. leandro · janeiro 15, 2011

    gostei, bom que não há nada burguês nas suas palavras… se percebe o nivel inelectual que vc esta a dominar, realmente… uma puta com classe é tudo de bom, nem precisa mostrar nada, basta uma palavra vinda de seus lábios bem torneados… gostei, parabéns!!!

  9. BRUNO ALVES DOS SANTOS OLIVEIRA · janeiro 10, 2013

    olá. tudo bem? trabalho em uma produtora de video e estamos produzindo um documentário sobre a vida de ana bolena com foco nessa classificação que vc a coloca. seria muitíssimo importante para nós o seu depoimento. topa gravar uma entrevista conosco? seu ponto de vista é exatamente o que procuramos. pode ser? em que cidade você mora? sem mais, agradeço a atenção. Bruno Alves. Entre em contato conosco. brunorhu@yahoo.com.br proimpactoinfo@gmail.com http://www.produtoraproimpacto.com.br – 11 2043-8524 comercial 11 7002-7825 – meu telefone particular. abçs. aguardo seu contato

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