Maria Antonieta, a última rainha

Hoje, há exatamente duzentos e dezesseis anos, Maria Antonieta, rainha da França na época da Revolução, foi guilhotinada pelos jacobinos.

Maria Antonieta

Maria Antonieta

A figura de Antonieta permanece até hoje imersa em uma aura preconceituosa e alcunha-se a ela a frase “Se o povo não tem pão, que comam brioches.”. Brioches são bolos, e essa seria a resposta de Maria quando lhe disseram que o povo francês estava esfomeado, mas foi comprovado que Maria nunca disse isso, visto que, após estudos históricos, percebeu-se que a frase sempre era atribuida a alguma rainha estrangeira hostilizada, a primeira rainha a receber responsabilidade pela afirmação foi uma espanhola, creio que logo no começo da dinastia Bourbon, e a frase passou a Maria pelo fato dela ser austríaca, povo que tem uma rivalidade histórica com os franceses.

Não pensem que eu sou cega ao ponto de achar que Maria foi alguma santa ou coisa do tipo. Sei sim que Maria foi despótica, aparecendo suntuosa em meio a pobreza daquela França que ainda era medieval em muitos pontos e sofria as mazelas fruto da má administração dos Bourbons, e que ela não era nenhuma mártir como os monarquistas pós-Napoleânicos a pintaram.

Mas, analisando bem, era Maria que andava luxuosa pela França em crise? A resposta, naturalmente, é não. Aliás, Maria caiu em Versalhes como uma pombinha austríaca em meio às aves de rapina da Corte francesa, se não se defendesse, de certo, cairia como vítima.

O modo de defesa de Maria foi simples; resguardou-se em luxo e ostentava ao redor de si toda uma imagem facilmente associável à escândalos. Mas Maria era uma representante da Áustria na corte francesa, colocada estratégicamente pela sua mãe, a imperatriz do Império Habsburgo, para assegurar uma aliança político-comercial numa Europa tão politicamente instável, e, para agir em prol do próprio país, não poderia ser a mulher volúvel que muitos pressupõem, Maria era culta e politizada.

Indiscreta – com amantes sortidos  no currículo – Antonieta escandalizou a alta sociedade francesa mantendo contato com figuras polêmicas.

O que realmente surpreende na figura de Antonieta é como ela radicalmente muda após a prisão até a execução final. Além de salvar suas amigas na Corte arranjou abrigo para muitos outros nobres, em diversos países, embora o próprio destino dela não pudesse ser mudado.

Maria é conhecida por seus excessos e por suas roupas luxuosas que, para muitos estudiosos, influenciaram a Revolução não só por causarem revolta devido ao luxo, mas por causa da inovação e das cores que Maria usava, alguns tons escuros e trejeitos no figurino considerados pioneiros para a época. 

Para mim, Maria é uma das mais importantes figuras da História e mais um exemplo do calvário das rainhas; teve o destino selado por uma aliança totalmente alheia a si mesma e se tornou uma espécie de ícone para todas as referências péssimas da França, mas foi realmente uma mulher filantrópica e inteligente.

Maria Antonieta, para mim, nunca será esquecida.

Vou terminando o post com a imagem de uma Antonieta simples e discreta, despida de adornos excessivos, numa paisagem simples. Para mim, essa representa a Maria Antonieta mulher além da rainha miticamente excessiva, como ficou marcada.

Antonieta, a mulher além da rainha.

Antonieta, a mulher além da rainha.

E por fim, as últimas palavras de Maria, ao pisar no pé de seu executor:

“Pardonnez-moi, monsieur,” (Perdoe-me, senhor)

Anúncios

2 comentários

  1. Cris · outubro 17, 2009

    Marie nunca será esquecida porque faz parte da categoria das criaturas injustiçadas da história, assim como Tiradentes (o menos culpado na Inconfidência Mineira). O mais triste é que a história se repete, vemos isso o tempo todo entre as celebridades e até nas famílias reais que ainda existem, Japão, por exemplo. Marie era quase uma menina quando teve que carregar o peso da coroa e a obrigação de ter um filho a qualquer custo. Pensar que atualmente meninas mais jovens que ela conseguem isso num piscar de olhos…

    Enfim, como eu disse, Yas, não há uma mulher na história, envolvida com poder, que não tenha se ferrado: Marie, as Bolena, as Romanov,Cleópatra, Elizabeth, Xica da Silva (um exemplo mais nacional).

  2. fabi fernandes · outubro 26, 2009

    Não acho a Maria nem um pouco injustiçada. Ela serviu pra mostrar até onde poderia ir o luxo e a ostentação da decadente monarquia francesa.
    Ninguém pode negar que a sofista Maria foi revolucionária por servir de exemplo a outras mulheres da época de que elas podiam ser o que quisessem ser (desde que se fosse rainhas ou nobres, tivessem um marido com fimose e muitos amantes e vassalos, além de jóias e roupas chiquérrimas às custas da morte e miséria do povão idiota que acreditava que reis e rainhas eram governantes enviados por Deus).

    Era uma mulher sofrida por ter sido enviada muito jovem para se casar com um imbecil doente e isso pode ter virado a cabeça da nobre dama, uma das primeiras (pelo menos pra mim) rockstars do mundo.
    Mas eu não idolatro todo rockstar que comete excessos simplesmente porque teve algum trauma de infância ou algum sofrimento brutal.

    Tem que ser mais do que uma estrela pra que eu admire, e não simpatizo nem um pouco pela totalidade da figura da Maria, pra mim ela apenas é um exemplo de mulher a frente de seu tempo graças aos recursos financeiros e intelectuais que tinha. E nada mais.
    E rockstar que é rockstar tem que morrer tragicamente. É ou não é?

    Parabéns por divulgar um pouquinho da história das rainhas do mundo e suas trágicas vidas. Realmente, quando se mexia com poder num mundo monárquico e extremamente recalcado, o preço era perder a cabeça, literalmente ou figurativamente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s