Às vezes eu me sinto tão pequena…

… Diante dos acontecimentos. Me sinto pequena e fútil.

Eu estava malhando na academia, quase sete horas, ouvindo música agitada para manter o ritmo, quando olho para a televisão. Os haitianos feridos, desabrigados, mortos, desesperados. Imediatamente, me senti uma idiota por estar ali, cuidando do meu corpo, enquanto pessoas no mundo todo morriam e agonizavam, esperando, sem ver, uma luz no fm do túnel.

Naquele momento, jurei a mim mesma que da feita que entrar na Federal para o curso de Direito eu vou, acima de tudo, entrar para fazer justiça. Há alguns disparates inadimissíveis no Brasil; um pédofilo estrupador é condenado há nove anos de cadeia enquanto um fraudador da receita federal é condenado há onze anos. Muitos pesariam que é uma pequena diferença; mas o X da questão é que no nosso país um monte de papéis vale mais que a vida de uma criança. A que ponto nós chegamos?

E não, não acho que esse seja o fim do mundo, não acho que o Apocalipse esteja acontecendo ou que os maias estejam certos… Afinal, Nostradamus – um profeta que eu respeito – previu o fim do mundo para 2000… E tan dam! Dez anos depois, nós estamos todos de pé, certo? Aliás, só uma explicaçãozinha sobre a profecia maia; os maias não tinham a concepção cristã de fim do mundo e destruição de tudo, o que a profecia dizia, segundo meu professor de história é que 2012 selaria o fim de um ciclo. O que é o fim de um ciclo? Para mim, assinala o começo de outro. Afinal, as estações são um ciclo e terminam para iniciar outro – assim aconteceu também com as atividades financeiras do Brasil colonial e com tantas outras coisas no mundo. Eu acho que mudanças vão acontecer, mas não que tudo vá acabar. A vida é prazerosa e incrível demais e Deus nos ama demais para deixar que isso aconteça.

  Mas voltemos ao assunto. Eu me senti terrivelmente boba ali, fazendo esteira, enquanto a destruição se alastrava como álcool nas veias sangüíneas no mesmo continente que eu habito. Embora eu faça academia pela questão da saúde – preciso perder vários quilos – a questão estética também conta. E naquela hora, eu me senti uma completa idiota.

Mais que isso, eu me vi como um grão de poeira diante da força dos acontecimentos e achei toda a humanidade a minha volta tão terrivelmente mesquinha que senti nojo. Você mesmo leitor, está aqui, no meu blog seja bem vindo, enquanto poderia estar fazendo algo para melhorar o lugar em que vivemos. Eu decidi naquele instante que vou fazer alguma coisa, realmente. Eu sei que sou “só” uma adolescente sem grana, mas eu tenho que tentar fazer alguma coisa.

Bom, sem dúvida eu sei que a mídia adora a indústria do medo – o maior exemplo disso é que com o terremoto do Haiti, esqueceram o povo da enchente lá no Sul – mas a destruição daquele país, já naturalmente devastado pela miséria, foi terrivelmente notória até para a pessoa mais cética. Eu tenho as palavras de uma mestra sobre Port au Prince, muito antes que qualquer um sonhasse com o terremoto.

       LESTAT: O REINO DOS CÉUS
 

“Caribe. Haiti. O Jardim de Deus.
Postei-me no topo do monte ao luar e tentei não ver aquele paraíso. Tentei visualizar aqueles que amava. Estariam ainda reunidos naquela floresta de contos de fadas, de árvores monstruosas, onde eu vira minha mãe caminhar? Se ao menos pudesse ver seus rostos, ouvir suas vozes.. . Marius, não seja o pai zangado; ajude-me! Ajude-nos a todos! Não desisto, mas estou perdendo. Estou perdendo a alma e a mente. Meu coração já se foi: pertence a ela.
Mas eles estavam fora do meu alcance; uma grande amplidão nos separava; eu não tinha forças para vencer aquela distância. Em vez disso olhei para as colinas verdejantes, agora enfeitadas com minúsculas fazendinhas, um mundo de livro de figuras, com flores em profusão, poinsétias vermelhas altas como árvores. E as nuvens sempre em mudança, levadas como altos veleiros pelos ventos poderosos. O que os primeiros europeus pensaram quando contemplaram essa terra fecunda, cercada pelo mar brilhante?

Que era o Jardim de Deus?

E pensar que eles tinham trazido tanta mortandade, os nativos destruídos em poucos anos pela escravidão, pelas doenças, pela crueldade sem fim! Nem um único descendente existe daqueles seres pacíficos que respiravam esse ar fragrante e colhiam das árvores as frutas que amadureciam durante todo o ano, e talvez pensassem que seus visitantes eram deuses que não deixariam de lhes retribuir a generosidade.

Agora, lá embaixo nas ruas de Port-au-Prince, conflitos e mortes, e não causados por nós. Simplesmente a imutável história desse lugar sanguinolento, onde a violência floresceu durante quatrocentos anos como as flores florescem; porém a visão das colinas erguendo-se na névoa comovia o coração.

(…)

Há muitos séculos, em minha época, esta tinha sido a mais rica colônia da coroa francesa. Rica em tabaco, anil, café. Fortunas eram feitas aqui numa única temporada. E agora as pessoas cavavam a terra; caminhavam descalças pelas ruas sujas de suas cidades; metralhadoras matraqueavam na cidade de Port-au-Prince; os mortos, em suas camisas de algodão coloridas, jaziam aos montes no chão calçado de pedras. As crianças recolhiam em latas a água das sarjetas. Os escravos se rebelaram; os escravos venceram; os escravos perderam tudo.
Mas é seu destino, seu mundo; eles são humanos.”

Rice, Anne – A Rainha dos Condenados

 

 Então, aí estão as palavras de uma diva literária publicadas em 1998 sobre o miserável Haiti, o Jardim de Deus. Belo em paisagem e totalmente desestruturado como sociedade. Europeus destruíram o país, massacraram os nativos… E saíram de lá gozando as prosperidades da Terra. Filhos da puta.

E agora, séculos depois, o Haiti se encontra numa situação tão terrível quanto como quando as “metralhadoras matraqueavam” pelas ruas de Port au Prince. Se eu ganhasse na mega hoje, metade do dinheiro iria para o Haiti.

Certo, nós temos tragédias inúmeras e incontáveis ao redor do mundo, mas agora o Haiti é a nossa ferida sangrenta mais urgente. Ela está clamando com urgência por ajuda. Assim como a África, o Oriente Médio, a Colômbia…

Chegando ao ponto mais certeiro, a mensagem que eu queria deixar era esta: SEJAMOS MAIS HUMANOS! Levante-mos nossas bundas da frente da tela do computador, da televisão ou do que for e vamos meter a cara para tentar melhorar alguma coisa da sociedade em que vivemos! Não pensem que eu só falo; Vou fazer vídeos e escrever quantos textos estiverem ao meu alcance para tentar, pelo menos de uma forma mínima, auxiliar as pessoas que necessitam de ajuda, além de tentar arranjar uma grana para fazer doações. Por que, se não fizermos por nós, quem fará? Só Deus e tenho certeza que apesar de a ajuda dele ser mais que suficiente, ele não nos deu saúde e um cerébro abençoado apenas para nós ficarmos panguando vida a fora, certo? Nós somos cidadãos; podemos cobrar de autoridades até mesmo globais a urgência de fazer algo. Por que se centenas de pessoas conseguem se juntar para fazer algo tão inútil como torcida organizada, como minha amiga Fabi diz, por que o pessoal não pode se juntar para tentar melhorar a sociedade?

Enfim, por aqui encerro o primeiro post do ano, esperando que minhas palavras ignorantes tenham servido para alguma coisa.

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1 comentário

  1. Cris · janeiro 19, 2010

    Acho até sacanagem, o Haiti já é um país fu***** e ainda acontece esse tipo de coisa. Vai custar a se recuperar, se isso acontecer. E ainda vem um monte de políticos e celebridades querendo se perfazer através do “quem doa mais”. É uma tragédia horrível, mas, fazer show dela me irrita de uma maneira…

    P.S: “Profetas não erram.” Nostradamus previu o início do fim. xD

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