Ser ou Pensar – eis a questão.

“Torna-te aquilo que és.”.

Friedrich Nietzsche

 

Poderia começar esse post dizendo que alguém muito mais sábio que eu disse isso, mas não vou fazê-lo. Simplesmente por que, isso é o de praxe. E hoje eu quero fugir de tudo que for de praxe – até do meu jeito de escrever.

Há uns meses, eu lia Eça de Queiróz – um conto muito interessante chamado “Civilização” – e este criticava Schopenhauer de forma intensa. E eu concordei com o pressuposto do autor português: “Como Schopenhauer nos diria para abandonar a vida, se ele nunca viveu?” – é claro, na época eu não sabia da coisa toda de simbolismo contra realismo e parnasianismo e etc. Agora, Schopenhauer me deu o xeque-mate: Através dele, eu tive que encarar o que eu acho que é Filosofia e o que mundo toma como Filosofia. 

Comecei a ler Nietzsche e antes de entrar no mérito do texto dele propriamente dito, eu achei muito triste a vida dele – uma desgraça só. Amores platônicos fracassados, debilidade corporal em decorrência de uma possível sifílis… Em contraponto a isso, o homem legou a humanidade grandes e inestimáveis obras.

Sexta-feira, última aula, do meio dia a uma e cinco da tarde – para estudar uma disciplina que eu ansiava intensamente: Filosofia. Dois anos sem uma aula de filosofia e um meio-tempo em que entrei contato com Platão e lembrava bastante das maravilhosas aulas do meu antigo professor. O novo professor entra e me lança uma bomba: “Filosofia é a Razão Pura”. Eu não vou nem comentar sobre a criatura que disse isso, sinceramente – pura perca de tempo. Para mim, uma mocinha de cidade pobre e provinciana, aquilo foi uma bomba.

“Razão pura”…

Onde está a razão, pelo amor da Virgem Maria?! Fora que “o nascimento” da Filosofia, para aquela que vos escreve, não foi na Grécia. Sempre achei que a Filosofia tivesse nascido junto ao homem, que fosse uma parte tão natural dele quanto todos os órgãos que o sustentam desde os princípios mais remotos da jornada evolutiva.

Quer dizer, Tales é considerado o primeiro filósofo… Eu pensava que o primeiro filósofo fosse o homo sapiens que, pioneiro, olhou para o céu ou para o seu redor e viu muito além daquilo que os outros viam; ele viu algo que o modificou mesmo que infimamente – seja lá se foi a beleza ou algo menos material; algo vagamente transcedental – quando os primeiros vestígios do que chamamos de consciência interpretativa aflorava no ser humano.

Para mim, a filosofia não é a razão pura simplesmente por que ela lida com algo que é totalmente abstrato – o pensamento. A Razão Pura, aliás, é um conceito abstrato e vago. Vago ao extremo, o que é a Razão Pura – o pensamento abstrato de um quase macaco bípede que conseguiu explorar o meio onde ele vive? Ah, meu bem, se você quer me fazer crer que Filosofia é a Razão Pura,  vai ter que ir além disso.

Momentos atrás, eu estava lendo Nietzsche e essas vagas impressões tomaram conta de mim. As palavras vieram depois, a conciência de que eu precisava dizer ou escrever algo veio primeiro.

E a minha Filosofia é isso: É a capacidade de mudar. De renascer como ser humano a cada novo pensamento, a cada nova sensação, a cada  nova impressão e descoberta do mundo seja através das Ciências ou da prática – é a capacidade de perguntar e responder e e encontrar em cada resposta uma nova pergunta. 

Agora eu olho para a vida de alguns dos grandes filósofos: A maioria deles não viveu. Quer dizer Kant viveu para produzir, Nietzsch teve uma triste vida debilitada…

Claro eu sou uma leiga, para aqueles que estão no curso de Filosofia. Eu só li Platão uma vez, e comecei com Nietzsche ontem. Mas pelo amor de Deus, eu sempre julguei que para filosofar você devia viver. Do que vale o pensamento sem a experiência?

Eu sempre tomei  como ponto interessante para reflexão e inspiração, a trajetória da mulher. Especialmente as do Renascimento, mais particularmente as da Dinastia Tudor. As irmãs de Henrique VIII, as filhas dele, as esposas dele constituem personalidades impressionantes aos padrões da época: As irmãs assumiram o controle da própria vida, as esposas dele foram brávias simplesmente pelo fato de o suportarem ele decapitou duas delas, e as filhas dele foram resistentes a uma vida de humilhação e elevação inconstantes – saliento aqui Elizabeth I, uma das mais amadas rainhas da Inglaterra, que faz muito governante por aí comer poeira até os dias atuais.

Para mim, refletir sobre essas mulheres – e muitas outras pessoas, independente de sexo, faixa etária e etc. –  e estudá-las foi um modo de filosofar…

Esse post, muito parecido com o estilo fragmentado e vagamente incoerente de “O quarto de Jacob” de Virginia Wolf, foi escrito para esclarecer mais a mim mesma do que a qualquer potencial leitor o que é Filosofia. Se funcionou ou não, descobrirei mais tarde.

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2 comentários

  1. sski1940 · fevereiro 7, 2010

    Uau!!!
    Se as aulas recém começadas de Filosofia já te fizeram parir um texto como este, imagina o que “Genealogia da Moral” de Nietzsche fará!!!!

    Yas, creio que teremos muito o que conversar sobre Filosofia, uhuuuu, vai ser muito bom!

    Essas frases resumem o tipo de sentimento que sempre tive em aulas como Ética e Legislação em Jornalismo, Comunicação Comparada, Semiótica, Teoria da Comunicação e Ciência Política:

    “Mas pelo amor de Deus, eu sempre julguei que para filosofar você devia viver. Do que vale o pensamento sem a experiência?”

    Era exatamente isso que eu perguntava pra mim mesma!!!

    E creia, eu prefiro viver a ficar pensando e escrevendo sobre como seria viver!

    Pois uma das maiores verdades do mundo é que pensadores e artistas só são valorizados depois de mortos, quando deixam de achá-los loucos, pervertidos etc, quando não podem mais usufruir de sua vida e fama.

    Amei o texto, continua assim, adoro textos meio confusos, que nos jogam de um lado para o outro numa velocidade assombrosa, isso me lembra meu louco prof de Semiótica filosofando sobre sexo, fetiche, a razão da companhia do Robin tornar o Batman gay e como o morcego era um hipoícone do Batman!

    S2

  2. Delph · fevereiro 7, 2010

    Minha prof de Semiótica não falava do Batman. Mas uma composição de 30 linhas sobre a Madonna no Brasil me salvou de repetir a matéria. kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

    Meu prof de Filosofia da facul era ótimo. Foi roqueiro uns anos atrás e falava um monte de palavrões! 😛 Ele é ótimo!

    Sabe pq eles (filósofos) não viviam? Das duas uma: ou pq se achavam muito inteligentes para viver de fato, ou simplesmente pq viver é perigoso.

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