O Símbolo e eu

“Pessoas precisam de um Símbolo.”.

Bruce Wayne (Christian Bale) – Batman Begins

Aproveitando o arroubo de inspiração simbolista que se acometeu de mim desde a fatídica Terça-feira Gorda do Carnaval em que passei  estudando – maior parte do tempo só para fichar duas apostilas de Simbolismo  -, a minha leitura recente de Nietzche e um texto maravilhoso da minha amiga Fabi (“Os Lobos Maus” no blog dela Nostalgia88 -o link está nos meus favoritos) e escreverei um post que, creio, talvez seja o desfecho resultante de todo o grande processo de mudanças comportamentais, corporais e mentais de uma fase tão complexa chamada “puberdade”.

Muita coisa mudou daquela menina que escreveu o primeiro e temeroso post para esta que agora vos digita este. E não foi só o estilo da escrita. Nesse interím, minha fraqueza fútil quase me levou a depressão – como está evidente em vários dos meus posts – mas ao olhar ao redor e ver que há problemas gigantescos em relação aos meus, criei vergonha na cara e encarei todos os meus obstáculos de cabeça erguida. Nenhum deles me derrubou.

Encarei dentre outras coisas, paradigmas como a separação dos meus pais, a depreciação de minha mãe e família por parte de um monte de… Vadias sem classe – para usar um termo familiar aos possíveis leitores desse blog,  e alguns relacionamentos não muito benéficos dentre as pessoas da minha faixa etária. Isso sem contar o vestibular seriado e as mudanças nativas à idade.

Estou contando aqui provavelmente a mesma história de outros posts. E bom, o que antes parecia-me um abismo de dificuldades, apesar de não reduzi-las, agora me soa como etapas necessárias, ainda que dolorosas, do meu processo de amadurecimento. Por que eu não me envergonho tanto dos meus erros. Me sinto constrangida – algo que é natural – mas vejo que cada erro meu, cada extravagância, cada falta de noção, cada loucura como uma peça da base da pirâmide que é o meu ser.

Afinal, como dizem os budistas: A harmonia do Nirvana gera tudo, mesmo o caos. Só que aplicarei o inverso: O caos do meu Nirvana trouxe-me a harmonia.

E o que isso tem a ver com o título? O que todo esse melodrama juvenil acima tem a ver com a minha relação com símbolos?

Vou explicar (aqui o leitor suspira: Lá vem história) : Aos quinze anos, florescendo em muitos aspectos, ansiando muitas coisas e estudando feito condenada, eu me senti como uma frívola a certa altura: Emagreci dez quilos desde o fim do ano passado e me tornei bem mais vaidosa, mas tive medo extremo de perder o que há de realmente mais valoroso em mim: A essência. E não digo a inteligência, mas sim o conjunto de Valores e Verdades que eu adquiri ao longo da minha vida e que protejo-os de serem corrompidos ou modificados para o lado mal.

Então fiquei naquela paranóia descabida de imaginar que estava me perdendo em prol de atingir um padrão estético. Após muita reflexão, conversa, leitura e Nietzche conclui que não; muito pelo contrário, esses Valores e Verdades só haviam se afirmado dentro de mim – foi o que percebi quando a luz da calmaria me permitiu um pensamento mais atento.

Então aqui entra o Símbolo (“Aleluia” grita o leitor). Eu percebi que apesar de ter o conjunto pin up completo espartilho, cinta-liga e meia-calça arrastão, há uma careta dentro de mim: Não preciso acelerar minhas relações com o sexo oposto para me auto afirmar como Mulher. Por que para mim é muito melhor afirmar que aos quinze anos já li “King, Rice, Platão, Shakespeare”  – e outros grande autores que iluminaram a minha alma e ajudaram a moldar os Valores que em mim nunca perecerão enquanto eu tiver sanidade para discernir o certo do errado – do que dizer: “Já transei com todos, já peguei todos.”.

Não que eu odeie sexo ou algo assim, muito pelo contrário. Sou adepta do sensualismo de Anne Rice e de uma pitada dosada de loucura sexual do Marquês de Sade até a alma, mas para mim sexo de verdade é algo tipo a música “Howl” da banda Florence and The Machine: Misterioso e solene. Por que há uma diferença retumbante entre o orgasmo de uma transa casual e o Extâse da Carne, mon amour , e posso garantir que muitos dos adolescentes que fazem sexo não tem nenhum pouco do prazer que eu tenho ao ver um filme com Jonathan Francis O’Keffe (Jonathan Rhys Meyers) a.k.a. Chico O’Keffe.

Então onde está o Símbolo? O leitor impaciente pergunta a essa autora aparentemente obcecada com a questão da sexualidade e do sensualismo. E a autora obcecada responde que sim, ela escreveu milhares de posts sobre o assunto e escrevera mais milhares enquanto ele não for sanado dentro de si própria, que esta autora obcecada que provavelmente precisa de um terapeuta é que nem os filósofos pré-socráticos: Ela procura, ela corre, ela esmiuça a questão até chegar ao amâgo dela, ao cerne. Por que enquanto sobrar uma sombra instável de dúvida, ela falará. Tampe os ouvidos se você não quiser escutar.

E ela finalmente responde sobre o Símbolo: Por que se auto-declarar vadia sem nunca ter sequer beijado? Por que se declarar vadia é melhor que ser iludida, ser romântica mórbida. Por que ser vadia, de certa forma, é resgatar a reminescente concepção do feminismo e da revolução sexual da década de 80 – dos bons e velhos tempos que a Madonna representava sexo oral numa garrafa.

E muito mais, o que é ser Mulher pra mim: É harmonizar as minhas dúvidas, é fazer alguma coisa pela sociedade. Ser Mulher é um Símbolo de vitória numa sociedade artificial (especialmente na brasileira): É saber ser um ser pensante e ter a consciência de que a bunda não é a alma.

E por fim, qual tem sido o papel do Símbolo na minha vida atualmente: O Símbolo me resgatou de uma crise desnecessária, sanou minhas dúvidas.

Por que um símbolo é o valor sob uma forma, mas que pode assumir várias outras.

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2 comentários

  1. sski1940 · fevereiro 25, 2010

    Ainnnn

    Yasmim, você arrasou. Amei o texto, a forma de escrever realmente mudou muito, está objetivo e maduro! UAU

    Todos nós precisamos de símbolos e ídolos, desde que não vivamos exclusivamente para adorá-los.

    Fase bruta essa que vives, mas você sabe que tudo passa e mais na frente vira piada ou uma forma de ganhar dinheiro.

    Ahhh, o Chico é um prazer longíquo do qual iremos provar… assim como o Bale!

    hehehehehe
    bjo

  2. Cris · março 1, 2010

    Adorei seu texto.

    Todo esse processo de reflexão faz parte do crescimento. E crescer dói, é complicado, mas é sempre bom.

    Espero que com todas essas mudanças, dentre outras coisas, vc não perca sua intensidade, Yas.

    Bju

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