A minha alma é lânguida e inerme.

Quadro de Dalí

Surrealismo

Dessa vez, eu não sei o que é. Você sabe o que é querer se suicidar por viver numa sociedade de valores tão efêmeros?  Pois eu, sim.

Essa tarde, não posso nem definir o que se passou e nem tentarei, vai muito além das palavras. Cheguei o colégio, estressadíssima – não bastasse as aulas intensas do Convênio, a expectativa e a pressão imensa do vestibular, minha turma é uma grande merda – comportamentalmente falando. Sabe aquela galera que não quer nada com nada? É esse tipo de gentinha que está dando um trabalho terrível desde o começo do ano.

É triste vermos jovens adultos comportarem-se como crianças que beiram o fundamental. Vejam bem, nem disse fundamental, mas crianças que beiram ao fundamental, algo como terceira ou quarta série. Bom, simplesmente nosso professor de Literatura abandonou a sala e a coordenação nos mapeou por ordem alfabética. Como meu nome inicia-se com Y, fiquei numa das últimas cadeiras – detalhe: Tenho astigmatismo por volta de uns sete graus.

Daí, uma amiga minha começou a chorar devido ao estresse, dizendo que ia sair do colégio e logo minha outra amiga juntou-se ao coro. Então, eu, desmoronei. Comecei a pensar em perder a companhia de minhas amigas logo no último ano de ensino médio, pensei que eu ao demais o curso que vou escolher – Direito – e um medo colossal de não passar na Federal apoderou-se de mim.  Chorei maior parte da aula de Redação – mas consegui prestar atenção

Então cheguei em casa e, – ao invés de fazer o que todo ser humano normal faria ou seja, dormir -, comecei a ouvir música. Quis atingir a Cartase através das músicas – Transcender. E consegui, só que não foi tão bom quanto esperava. Ao invés de evadir-me de meus problemas, cai num poço de reflexões que evidenciaram em mim minha profundidade, a absurda pressão a que o vestibular submete a mim  a meus iguais, a efemeridade da Civilização, enfim, ouvindo bandas como Beirut, U2, Florence and the Machine e cantores como o francês Julien Doré, parece que todos os meus conflitos emergiram e se entrelaçaram dentro de mim e todo o horror da nossa sociedade egocêntrica, egoísta, ambiciosa, positivista, repressora e selvagem também.

O resultado disso: Pense numa dor de cólica intensa – se você for mulher – ou uma dor de pedra no rim – se você for homem – e vai ter uma dimensão do que eu senti. Eu me curvava, como se estivessem arrancando algo de mim.

Nem sei o que dizer sobre esse momento, só posso dizer que me senti a única pessoa sã num mundo de loucos. Vi, a linhas gerais, todo o horror da evolução de uma sociedade que caiu no sonho da onipotência.

Loucos, loucos – todos eles.

Eu vi a luz num país perdido.
A minha alma é lânguida e inerme.
Ó! Quem pudesse deslizar sem ruído!
No chão sumir-se, como faz um verme…

Camilo Pessanha
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1 comentário

  1. Cris · março 31, 2010

    Você tem que por na cabeça que não é obrigada a passar de primeira no vestibular. Isso é mais uma porcaria que a sociedade porca incute nas cabeças dos estudantes do Ensino Médio. Eu disse um belo “fuck you” pra isso e acabei passando. Voilá. E o mundo não vai mudar. Pode desistir, desde os tempos de Virgílio, desde os primeiros escritos da Bíblia, tá lá, o mundo igualzinho ele é hoje, só a tecnologia que mudou. As cabecinhas são as mesmas. Eu sei que é doloroso, mas, a melhor saída ainda é ignorar. Ignore. Eu encontrei a melhor filosofia de vida que existe, pra continuar subsistindo com o resto do mundo: o sarcasmo e o auto-risível. Espero que você encontre a sua.

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