Eternamente Lulu

É impressionante como um filmão, realmente, não é aquele que simplesmente arrasta multidões, é bonito e tem um roteirinho mais ou menos… Ou seja, Avatar, para mim, não é sinônimo de filmão.

Filmão mesmo é Eternamente Lulu. E daí se ninguém conhece? Esse é um mero detalhe.

A história é a de uma louca (Melaine Griffith) que procura, após dezesseis anos, seu grande amor (Patrick Swayze) e lhes revela que eles têm um filho juntos. Assim, ambos cruzam os Estados Unidos – com direito a esposa dele na cola de ambos, com uma trama subjacente e dialética a principal, muito interessante – em busca do filho desconhecido.

Não é a trama mais original, atualmente, mas tampouco é uma mera comédia romântica água-com-áçucar. Após longos anos de romances maniqueístas norte-americanos, o filme é uma grata surpresa para os fãs desse genêro, admiradores nostálgicos que saudam os tempos em que um par romântico não se resumia a possíveis símbolos sexuais juvenis.

Em “Lulu” não há bom ou mal, os antagonistas são tão humanos e possíveis a erros e acertos quanto os protagonistas e o lado de cada um é valorizado. Há profundos conflitos morais, temas delicados e de cunho social – a natureza da loucura, adoção, traição, morte em família – então, não se iluda pensando que este é um filme  descartável de repetidas e antigas alegorias.

Além de ter cenas cômicas encantadoras, os arroubos de doidice de Lulu são engraçados tais quais suas crises de loucura são assustadoras, a relação entre Lulu, Ben (seu grande amor) e Claire (a esposa dele) se desenvolve de uma forma extremamente surpreendente. Além do que a linguagem tem pinceladas freudianas. Todos os personagens – sem exceção, até os figurantes – são interessantes e psicologicamente profundos, examináveis e palpáveis.

Além do que, há a cena que fez Patrick Swayze lembrar-me Stephen King e entrar na lista dos meus preferidos atores: Ele recebe a ligação do seu patrão – Ben era roteirista de seriados – o demitindo e ele diz, apenas, após uma estafante bronca: “Seja feliz.”. Desliga o telefone e joga os papéis de seu roteiro recusado na estrada. E consegue escrever um livro fantástico.

Enfim, “Eternamente Lulu” marca: É bom do começo ao fim e em todos os sentidos. Vejam bem, não é perfeito, pois é inegavelmente pautado em clichês, mas, sinceramente, quem pode fugir deles? E, em “Lulu”, os clichês não são ocos: Eles ganham uma nova cara. Além do que, há frases realmente filosóficas e belas.

 Vale muito a pena, pois marca. E, esse sim, sem precisar de um roteiro milionário ou efeitos pandimensionais, consegue ser um filmão.

Eternamente Lulu

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