Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante…

A imperfeição é bela, a loucura é genial e é melhor ser absolutamente ridículo que absolutamente chato.

Marilyn Monroe

 

A felicidade consiste essencialmente em querer-se ser o que é.

Erasmo de Rotterdam

 

Creio que todos conheçam o verso com que comecei esse post. Raul Seixas, o eterno maluco beleza, cantou-o muito antes de eu nascer e agora uso-o para esse post. Vocês vão entender por que.

Sempre paguei pela decisão de ser eu independente do quão esteriotipada seja a sociedade em que vivemos. Eu sou a gorda feia, a nerd, a vadia romântica, a virgem ninfomaníaca, a fã de Batman, a maria faroeste, a filósofa das coisas efêmeras, a exibicionista convicta, a egocêntrica megalomaníaca… Sou isso tudo e muito mais, nunca escondi e sempre gritei para o mundo tudo o que sou, com muito orgulho.

É claro, os seres humanos “normais” nunca me aceitaram bem e procuraram deixar isso bem claro da forma mais repressiva e opressora possível. Desde a infância estou acostumada a conviver em sala com colegas recriminadores e preconceituosos e encontrar mais milhões fora de sala de aula prontos a repetir as atitudes daqueles com quem partilho a vivência no colégio.

O que não esperava e o que está me saturando é o fato de ter que viver isso até no Convênio. No Convênio, porra! Último ano do ensino médio e os meus retardados colegas não aprenderam o que é respeito. Como diria o poeta, é foda!

Ficam tirando fotos da minha feiura, me arremedando até o diabo dizer chega, mas bisbilhotam as minhas coisas, sabem de cada detalhe da minha vida, inventam fatos como o de que eu tô namorando. Gente, eu tinha um namorado e fui a última saber? Como pode?

Eu não queria me saturar com esse tipo de pessoa. Podem perguntar para meus familiares (meu querido pai principalmente), minhas amigas e meu cachorro: Sou barraqueira até o inferno, sou até mesmo ignorante nos meus arroubos de armar um escarcel quando a pomba gira desce nesse corpo que Deus me deu! Mas eu armo um barraco fundamentalmente quando vale a pena. E esse tipo de pessoa que me leva a escrever esse post não vale a pena.

E, entretanto, não posso deixar de me incomodar. Emergindo para a fase adulta, ainda tenho que aturar esse tipo de ser humano. Estou me esforçando para cacete para passar numa faculdade pública e o colégio em que estudo é pago, a minha mensalidade não está atrasada e ainda tenho que aturar esse tipo de criatura? Valei-me, meu Pai.

E eu sei que tô certa. Adoto uma postura derivada do meu intenso, amado e odiado Nietzche: Prefiro que ponham num hospício, toda a sociedade “normal” unânime sobre minha insanidade, a abrir mão de mim mesma. Eu não quero me perder de mim, como fiz há tanto tempo atrás na sexta série quando o bullying ainda mexia com meus nervos pré-adolescentes.

Que tipo de pessoa faz isso comigo? Pessoas fúteis sim, por que eu já ouvi a conversa desse pessoal e só é baboseira o tipo de menino que tem uma azeitona no lugar da massa encefálica e o tipo de garota que acha que o cosmos gira ao redor de sua bunda ou sua FALTA de bunda , um tipo falso que te sorri e por trás carrega uma adaga.

Pior é que essas pessoas são vítimas de preconceitos e os perpetuam. Na verdade, essa é uma regra geral na minha sala. O negro avacalha com outro negro chamando-o de “macaco” sendo que a bem saber que o povo brasileiro, via de regra, recebeu da herança da miscigenação os genes de africanos, europeus e indígenas. E ainda mais aqui no Pará, onde a nossa sociedade é umas das mais miscigenadas do país. É como Machado ilustrou em “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, o escravo de Brás ao libertar-se tem como primeira atitude comprar outro escravo.

Impressiona-me a incapacidade dos seres humanos de aprenderem com o sofrimento.

E eu, sou perfeita para me dar ao direito de criticar? Não sou, mas tenho consciência plena da maioria dos meus defeitos e não busco arremedar o outro sem ao menos conhecê-lo.

Por que você não sabe o que um ser humano está passando quando decide tirar sarro da cara dele. Você não sabe quais os conflitos internos e externos de cada um. E quem sabe se naquele dia que você decide tirar uma brincadeira de mal gosto com aquela “gorda feia” o pai dela não acabou de perguntar se ela se considerava melhor que a filha da puta da amante dele, que quase destruiu a mãe dela e a ela própria. Ninguém pode conhecer os sofrimentos e a mágoa de outrém.

Enfim, essa foi a evasão de toda a minha raiva. Foi melhor dar vasão a minha revolta aqui do que dando socos ou armando barraco lá no colégio. Minha alma parece leve.

Para concluir, prefiro fazer que nem Raul: Ser essa metamorfose ambulante do que viver aquela velha opinião formada sobre tudo. Ser genialmente imperfeita como Marilyn e ser feliz sendo essa psicodélica quimera abstrata por que a felicidade é ser você mesmo, como Erasmo disse.

O resto é hipérbole idiota. Não tente me entender. 

E, como disse o Coringa, não sou doida. Apenas louca.

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3 comentários

  1. Luiza Vitória · junho 3, 2010

    Você tem toda razão!
    Foda-se essa gente medíocre1 Acredite, eles são pequenos vermes que se acham reis.
    Também estou no terceiro colegial, também convivo com seres assim no dia-a-dia, e já me habituei a encará-los de cima, porque são pequenos, insignificantes. Nem sempre é fácil, há ocasiões em que estamos mesmo sensíveis, mas isso passa. Nada paga o fato de poder olhar pra dentro de si mesmo e ter orgulho de ser como se é, sem máscaras, sem subterfúgios, ser covardia. Que bom que somos estranhos, extra-terrestres, eu pelo menos odiaria misturar-me a massa gigante de pessoas comuns, na maioria ocas.
    Como diz o “amado e odiado” Nietzsche: Quem combate monstruosidades deve cuidar para que não se torne um monstro. E se você olhar longamente para um abismo, o abismo também olha para dentro de você.”
    Por isso não se preocupe com os medíocres, por experiência própria te digo que o futuro trará o que eles merecem.
    Beijo e boa sorte!!
    Ps: desculpa a imensidão do comentário =)

    • Yasmim-Deschain · junho 3, 2010

      Luiza, eu não me incomodo com o comentário gigantesco, ao contrário, eu adoro!

  2. Deph · junho 3, 2010

    Olha, Yas, francamente, eu passei por isso quase a vida inteira e ainda tenho sequelas. Mas, se eu pudesse voltar àquela época eu ia gritar VAI TOMAR NO OLHO DO CÚ! o mais alto que eu conseguisse. Assim, com todas as letras, na cara dessas vadias e desses filhos da puta que estão fazendo isso com você! Vc vai ver, Yas, o que acontece com esse tipo de gente no final, um bando de mãe solteira e de subempregado, falo isso pq eu vejo, eu vejo. Vc vai ter orgulho de esbarrar com essa gente varrendo a porta da sua casa ou passando as suas compras no supermercado. Todos acabam assim. E sabe por que isso acontece? É pq em vez de cuidar da vida deles, eles estão aí se ocupando da sua! Dá no que dá. E essa é a paga que eles recebem, justíssima! Esquenta cabeça com isso não. A vida te vinga.

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