O último herói americano

Fui dormir uma da manhã ontem, por que vi o anúncio que haveria um especial sobre Clint Eastwood na coluna do Nelson Motta no jornal da globo. Eu aguentei o sono e vi, foi lindo. Emocionante, no mínimo.

O que mais gostei na reportagem foi que mostraram as facetas do Clint de forma justa.  Do pistoleiro durão do spaghetti western ao diretor sensível que ama jazz. Mostraram o homem sem nome e o amante de Pontes de Madison. Mostraram muito além de simplesmente a trajetória de um ator, mostraram que masculinidade, sentimento e sensibilidade podem sim coexistir em harmonia. E Clint Eastwood parece ter esses três em quantidades proporcionais.

Eu conheci este fabuloso ator por causa do pistoleiro Roland Deschain. Nos seus sempre vividos prefácios – que são mais uma conversa descontraída com o leitor – Stephen King citava abertamente que a inspiração para o último descendente do Eld fora o ator. Quando o jovem King viu Clint no telão em “Três Homens em Conflito” (The Good, The Bad and The Ugly) a inspiração, essa deusa súbita, apossou-se do escritor. E daí nasceu meu Roland (não reparem no pronome possessivo).

Clint Eastwood como o Homem sem nome

Clint Eastwood como o Homem sem nome

Mas o primeiro filme que vi com Clint foi “Menina de Ouro” (adorei o treinador desde o primeiro momento, e nem conhecia o ator), o primeiro western foi “Os abutres têm fome”. Papai comprou um monte de faroestes, que devorei compulsivamente e o primeiro que vi foi com Clint. É preciso dizer que a paixão foi a primeira vista? Nem é preciso dizer que aquele rosto másculo, aquele jeito de cafajeste e o olhar intenso, bruto e selvagem de Eastwood me arrebataram irreversivelmente desde a primeira cena do filme.

E daí em diante, não parei mais. Comprei vários filmes do Clint que ainda não tive tempo para ver, ultimamente só estudo.

Mas o que me impressiona, o que marcou no Clint foi o fato de ele encarnar o “durão” esteriotipado, ter encorporado todos os padrões de herói machão norte-americano sem perder a profundidade, a sensibilidade, o sentimento e conseguir ser um bom ator. E, mais que isso, o fato é que Clint – ao invés de envelhecer e fenecer – supera-se conforme o tempo avança. Tornou-se um dos diretores mais respeitados e inteligentes dos últimos tempos. Suas obras por trás das câmeras são tão marcantes quanto as em que ele atua na frente delas. 

Clint está velho. Mas longe de perder o gás, longe de se dar por vencido. E sempre sendo o durão lírico que me arrebatou o coração, o mesmo que inspirou meu pistoleiro favorito.

E, mais que isso, provando que todos os tabus preconceituosos sobre masculinidade e profundidade são uma besteira ridícula.

Clint Eastwood

Clint Eastwood

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