A morte da monarquia – o último episódio de The Tudors

Devia estar dormindo, tenho prova de Química amanhã. Amo  as Ciências, embora ache ridículo o método enfadonho como nos são repassadas, mas a química e minha possível nota baixa que me perdoem! Eu preciso escrever sobre The Tudors.

“História é a experiência humana” segundo Jonathan Rhys Meyers (ator que protagoniza Henrique VIII no seriado) e lá estão todas as dores, amores, sexo que vieram antes de nós. E é isso que é deixado de lado, muitas vezes, ao sentarmos a bunda para estudarmos ou vermos um documentário/filme sobre história. Mas em The Tudors não foi assim, não mesmo. Os personagens foram humanizados até o último momento.

Muitos historiadores mais típicos não gostaram da série por que muitos atores destoavam de seu personagem quanto a fidelidade estética e havia muito sexo. Mas a série foi um produto vendível; beleza e sexo em abundância eram quase garantia… E marcaram presença. Entretanto, de forma não a vulgarizar o todo, mas a complementá-lo. Eu diria até, de modo a sublimá-lo.

Nenhum dos “rostinhos bonitos” de The Tudors foi só um “rostinho bonito”. A máxima da minha afirmação é o protagonista, Jonathan Rhys Meyers. Eu já gostava extremamente dele antes dessa série, mas após ela é que eu me apaixonei perdidamente por este Baco de olhos azuis! Beleza andrógena, sensualidade homoerótica e uma atuação cartática… Encarnando perfeitamente um dos mais polêmicos soberanos da Inglaterra, injetando a humanidade mais plena nesse personagem tão entrelaçado a mitos.

Jonathan Rhys Meyers como Henrique VIII

Jonathan Rhys Meyers como Henrique VIII

Outra atriz que figura na minha lista de musa suprema é a grandiosa Natalie Dormer, ela encarnou Ana Bolena – a segunda esposa do rei – e fez o mesmo que Jonathan. Ela evocou Ana e a trouxe ao público da forma mais fiel, vívida e justa o possível. Trouxe sua beleza cigana, seu jeito sedutor inigualável e encarnou perfeitamente a mulher desesperada que a mãe de Elizabeth I tornou-se na trágica derrocada final. Absolutamente esplêndida. Natalie merece ser aplaudida de pé.

Natalie Dormer como Ana Bolena

Natalie Dormer como Ana Bolena

Merecem destaque também Sarah Bolger com sua Maria Tudor – injustamente conhecida como “Bloody Mary” -, Maria Doyle Kennedy com a mais que fiel, mais que leal e mais que digna Catarina de Aragão, James Frain com o sedutor e traiçoeiro Thomas Cromwell, Henry Cavill com seu sempre charmoso, indômito e leal Charles Brandon, Gabrielle Anwar com sua fabulosa “Margaret” Tudor – essa personagem é, na verdade, uma fusão das duas irmãs do rei… Para mim, todo o elenco está de parabéns! E o produtor da série também, Michael Hirst é supremo em adaptações históricas.

Quanto a monarquia Tudor verdadeiramente dita, eu a conheci antes da série. Além de admirar Elizabeth I desde os doze anos, foi no natal de 2008 que conheci o romance “A irmã de Ana Bolena” que me introduziu a história da segunda rainha de Henrique VIII e acendeu definitivamente meu interesse por esta monarquia. Aí eu enveredei pela história dos Tudor, mergulhei em leitura de vários outros livros, em buscas virtuais, busquei ver outros filmes e aí encontrei a série.

Inicialmente, eu odiava Ana. Mas foi a atuação fabulosa de Natalie Dormer e minha mudança interior que mudaram essa situação. Atualmente, a verdadeira Ana é uma grande mulher para mim – embora eu esteja cônscia de que ela não é santa tampouco mártir pura. Eu verdadeiramente amo o modo como foi a filha de Ana, justamente dela, que se tornou uma das mais amadas e poderosas rainhas da Inglaterra? Você sabe o que é isso? Justiça poética. Você sabe o que é isso? Deus.

Tenho consciência que a Era de Ouro de Elizabeth teve suas facetas “A Era Negra”, mas nenhum monarca é perfeito… Mas, mesmo os mais incrédulos devem admitir, Elizabeth deu um show! Administrou povo, burguesia e a balança comercial da Inglaterra de forma admirável. Além da sua vitória memorável contra a maior armada do mundo, em seu tempo, ou seja, a derrota da Espanha pela Inglaterra. E, talvez o que mais importe, Elizabeth era uma mulher. UMA MULHER!

Sim, eu coloco em caps lock, eu coloco em negrito… Uma mulher que foi desprezada pelo pai, assediada pelo padrasto, julgada bastarda por todos ao seu redor, que não podia sequer admitir a si mesma a saudade da mãe… Mas que se tornou uma rainha gloriosa, uma regente habilidosa. Sim, ela pagou um alto custo, mas venceu. Triunfou, nunca admitindo a derrota…

Voltando a série: Vou sentir saudade. Uma parte de mim parece estar em mudo. Nunca mais vou sentar e esperar ansiosa, navegando loucamente pelo google, atrás de novidades sobre a nova temporada – para ver o visual de Jonathan e Henry ou a nova atriz que encarnará Lady Elizabeth. Não me deleitarei mais com aqueles fabulosos episódios de começo de temporada ou ficarei ansiosa no season finale.

Sim, acabou.

Dói, como todo fim. Mas vai ficar, tudo que aprendi em The Tudors. Todos os risos, todas as lágrimas, todos os bons momentos… Vão ficar. Só Deus os tira de mim.

E, para encerrar, devo dizer apenas que talvez o último episódio poderia ter sido melhor, mas que foi digno e justo. O mais tocante foi o modo como nossa mortalidade foi exposta, foi tão filosófico que eu mais me senti lendo um livro do que vendo uma série… Deixo que a frase de Henrique VIII no começo do episódio fale por mim:

“Quando comparamos o presente do homem na terra, com o tempo que desconhecemos, parece-me como o vôo rápido de um único pardal através de um salão de banquetes em um dia de inverno. Depois de alguns momentos de conforto, ele desaparece de vista no mundo frio do qual veio. Mesmo assim o homem surge na Terra por pouco tempo, mas o que se passou antes dessa vida ou o que virá depois, não sabemos nada.”.

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