Não sobre o amor romântico

Quando se é mulher, a temática do romance sexual e do encontro do companheiro é algo onipresente. Desde a infância, seja com os namoradinhos do maternal, até as raízes da vida adulta com seus casamentos tulmutados, ou não, separações e tantas outras coisas.

Se, depois dos vinte, você não arranja um namorado torna-se a encalhada, a solteirona. Antes disso, se você não tem experiências quase sexuais avulsas (entre os 10 aos 18) é taxada de careta, cafona. É triste como ao folhear revistas feminas, seja juvenil ou adulta, você se depara com o assunto “homens” em massa lá. Às vezes, satura. Parece que vivemos por eles, para eles.

Não, não estou tendo um arroubo feminista. Adoro o sexo oposto. Adoro um corpo másculo malhado, escultural. Um glúteo masculino bem moldado é uma visão divina e os desejos que causam em mim são dignos do inferno.

Mas até mesmo eu me condeno. Com meus amigos, comento demais sobre homens. Talvez seja porque o amor romântico é um grande dogma que o ocidente e o capitalismo impõem a todos. É como se a sociedade batesse nas suas costas e dissesse: “Vai lá, é hora da cópula. Vá gerar novos consumidores. Ou então, apenas faça para comprar a camisinha e dar lucro a farmácia.”.

As pessoas pensam que sexo é liberação. Mas o sexo está cheio de mentiras, como Jim Morrison disse. Está cheio de estigmas dessa sociedade em que vivemos. Acho que o Sexo (sim, com letra maiúscula) só é pleno quando todos os sentidos estão envolvidos. Aí ele tornar-se o que realmente é: Transcedental, orgástico e místico… Uma amiga minha, Cris, disse que o sexo deturpa. Concordo, em parte. Depende do modo como você interpreta as suas necessidades e a do outro. O modo como vocês se integram, como reagem.

É idiota o modo como a maioria das pessoas faz sexo hoje em dia. É uma mera trepada. Totalmente perdido o âmago do ideal da conjunção de dois seres humanos… Não digo necessariamente no sentido de procriação, mas no sentindo da busca pelo prazer mútuo. Não precisa sequer haver sentimento, basta que haja a consciência da busca pelo êxtase… E hoje em dia não há consciência da busca, há apenas a necessidade corporal seca e bruta. E daí nascem os homens com semên no lugar da consciência – como diz Fabi, minha amiga – e as mulheres com bunda no lugar da massa encefálica. Triste.

E hoje, depois de uma leitura duma tal biografia do Jim Morrison – que está me fascinando gradualmente, percebi uma coisa. Não quero um namorado… Não quero um cara para colocar as fotos no orkut, ou para encher o saco com mensagens e ligações, ou para brigar por ciúmes.

Eu quero um homem.

Quero alguém profundo e bacana. Alguém com quem eu possa falar, que eu possa ouvir. Alguém para ver filmes de faroeste, ouvir The Doors, alguém para escrever poesia, trocar livros ou fazer algo absolutamente anti-convencional para um casal do nosso tempo… Quem sabe, alguém para dançar ACDC… Alguém real, mas com a capacidade de sentir e sonhar.

Estou amando. O Orfeu da Ofélia existe, mas é intangível. E é bom que seja assim, é belo sendo assim.

Por que estou escrevendo isso? Por que eu precisava. Precisava deixar isso claro para mim mesma.

Talvez um dia eu ache meu Roland, meu Lestat, meu Jonathan Rhys Meyers, meu Bruce Wayne / Batman (de preto, com aquela fantasia de morcego sadomasoquista-homoerótica que é meu tesão total!), meu Jim Morrison (sem os alucinógenos, drogas e o álcool por favor, mas deixe Artaud, Rimbaud e Nietzche), meu tudo-nada… Talvez não…

Sei lá. Só precisava escrever.

“O amor é um punhado de estrategmas que possuimos para preencher o vão da vacuidade. E tenho dito.”.

Jim Morrison
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1 comentário

  1. Delph · junho 26, 2010

    “Eu quero um homem.”

    Uma vez eu tive coragem de começar um texto assim. kkkkkkkkkkkkkk Acho que eu tinha mais ou menos a sua idade. Cara, como somos parecidas, Yas. Incrível.

    Amiguinha, ainda ando com aquelas idéias pouco ortodoxas a respeito disso. Ortodoxas no sentido social da coisa. São dois extremos. A razão me diz que o ser humano pode (e deve) viver muito bem sem uma coisa que traz tantos transtornos. Por outro lado, penso que as coisas deviam ser iguais à antigamente. No tempo das cavernas. Tão simples. oO’

    E o homem que gosta de tudo isso que vc falou, tudo isso junto, ou é gay ou é casado. Mais provável. kkkkkkkkkkk Conheço um que é um doce, até gosta de Almodóvar, mas é quase casado, e o que eu sinto por ele não passa de uma simpatia diáfana. Filhinha, não tá fácil, não tá fácil.

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