A violência contra a mulher no Brasil

Engraçado, agorinha mesmo passou uma reportagem sobre a delegacia daqui do bairro. Uma comissão do governo veio aqui averiguar a condição dos presos a pedido dos Direitos Humanos, o relatório vai chegar em mãos até de instituições internacionais.

Sim, presos são seres humanos. Nunca questionarei a humanidade de ninguém, mas gostaria de saber sinceramente por que eles não respeitam a minha humanidade. Bom, se eles têm que assaltar – e eu acho que não há desculpa nenhuma para roubar, pois conheço cada caso de pessoas que cresceram na vida sem precisar apelar para meios ilícitos – por que eles têm que ser tão abusivos e violentos? Talvez para querer respeito e humanidade, deva-se dar os outros a mesma coisa.

Queria saber também porque os Direitos Humanos não cobram do país uma posição quanto ao crescimento da violência contra a mulher no Brasil. Apesar dessa postagem ser concomitante com o caso do desaparecimento da ex-amante do goleiro Bruno, esse post não tem exatamente uma motivação relacionada a este acontecimento.

Na verdade, a noção do quão em crescimento está a violência contra a mulher me foi dada por uma amiga durante uma conversa. Comentávamos os casos como o da advogada Mércia e de uma outra jovem assassinada pelo namorado e cujo corpo fora encontrado no mesmo local.

Daí pra cá minha visão despertou ao assunto. Aqui na região há o caso de uma moça chamada Ana Karina que foi assassinada pelo próprio pai do filho que esperava. A mulher estava com nove meses de gestação e o assassino não poupou a vida da criança. Como o corpo dela não foi encontrado, é provável que o algoz seja solto. Isso, Direitos Humanos, vocês não cobram né?

Não vou comentar cada particularidade de cada caso porque não estou aqui querendo ser sensacionalista ou explorar a dor alheia. O caso é que a grande maioria desses casos poderia ser evitada.

Minha intenção é de, se alguém ler isso, conscientizar de algo que é terrível. A maioria dessas mulheres sofreu ameaça, denunciou e ainda foi vítima. Se as denúncias tivessem sido contudentemente averiguadas e se os criminosos que cometem tal ameaças ,futuramente são sim capazes de realizar barbaridades, fossem punidos com prisão preventiva por alguns meses acompanhada por multa ou trabalho social e um mandato judicial que estabeleca distância mínima em relação a vítima, muito disso poderia ter sido evitado.

Eu digo que, graças à Deus, nunca passei por nada grave, mas pessoas muito íntimas minhas já sofreram com isso. Minha amiga foi ameaçada por um menor e minha mãe pela amante do meu pai, e nas duas situações tudo foi extremamente assustador e, por não haver nenhum tipo de lei mais contundente contra ameaças, ambas ficaram desamparadas.

Outra questão no âmbito da violência contra mulher é que a agressão preocupante não é meramente física – seja na questão da violência sexual ou não – há a agressão verbal e a opressão psicológica, esta última . Presenciei ambas as situações e também acho que uma ação preventiva devia ser elaborada nesse caso, além de um auxílio as vítimas em locais específicos.

E quando falo ameaça ou violência digo tanto do homem em relação a mulher, quanto de outra mulher com uma mulher. Qualquer caso.

Para mim não basta só uma delegacia da mulher. Devia ser um espaço mais amplo, que muito além de busca a punição também prestasse auxílio. Talvez até mesmo um espaço de ajuda mútua, algo comunal onde as mulheres que foram vítimas de eventos traumáticos partilhassem entre si suas histórias. Sempre é  bom conversa, para cada uma ver que não se está sozinha.

É claro, a denúncia é muito importante – não só de ameaças, mas da agressão doméstica que também abunda em nosso país. Não tenhamos medo. Minha avó teve dois filhos de pais diferentes e criou-os com toda a dignidade, sem nunca ter casado. Pelo amor de Deus, nós temos de evoluir do pensamento machista que o homem sustenta a casa, temos que botar a mão na massa! Vamos trabalhar – sei lá, eu sou muito ociosa, mas não hesito em batalhar pelo que quero e não hesitaria em trabalhar para não depender de homem. Minha avó foi lavadeira, babá e empregada. Nunca precisou se prostituir ou apelar para nada ilegal.

Quanto a estrupos, eu acho que as medidas tomadas aos estrupadores deviam ser infinitamente mais punitiva e uma ajuda maior as mulheres que sofrem este tipo de violência devia ser pensada. Deve ser horrível demais, não posso nem imaginar. Também temos de tomar medidas de prevenção… Estar sempre atentas ao que se passa ao nosso redor, evitar ajudar pessoas assim tão facilmente – nunca deixar que elas nos conduzam a locais isolados. Até mesmo andar de cabelo preso é um método preventivo, pois um monstro pode apelar aos puxões – deixe os cabelos soltos para ocasiões especiais. É comprovado, por um estudo de um psicólogo, que os estrupadores sentem-se intimidados por mulheres que carregam objetos como guarda-chuvas, pastas, etc. Acho que talvez o serviço público pudesse oferecer auto-defesa, como acontecia com as mulheres em Creta – elas aprendiam boxe para defenderem-se dos agressores.

Não sei se esse post servirá de algo, mas eu sei que calada eu não posso ficar. Meu sexo sofreu perjúrio durante toda a história humana e agora, em pleno século XXI, temos ferramentas para mudar isso. Embora eu não tenha dinheiro, poder ou influência, eu tenho algo que só Deus tira: Minha palavra.

E muitos já mudaram o mundo com ela. Por que eu não posso tentar mudar alguma coisa?

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2 comentários

  1. Valdecy Alves · julho 17, 2010

    Olá!

    Leia artigo isento de sensacionalismo. Uma análise objetiva sobre o caso Bruno. Caso goste, divulgue e comente. Acessar em:

    http://www.valdecyalves.blogspot.com

  2. Pingback: Tweets that mention A violência contra a mulher no Brasil « Deschain, Yasmim -- Topsy.com

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