Trinta e nove anos sem Jim Morrison

Primeiramente, queria dizer que ontem (02/07) foi um dia muito especial: Aniversário da minha amiga Raíssa Puente – a quem peço perdão por não ter podido ir visitar – e dia da batalha pela independência da Bahia, onde tivemos o verdadeiro começo pela luta no sentido da independência – tudo isso minha amiga Fabiana me elucidou semana passada, numa conversa pelo msn.

Contudo, o foco hoje é outro. Em 1971, aos 27 anos, faleceu Jim Morrison – o mítico vocalista da banda The Doors. A causa declarada foi de insuficiência cardíaca causada por overdose de heroína quase pura, mas  morte foi suspeita – apenas duas pessoas viram o corpo – e muito se especula ainda hoje sobre isso. Há hipótese de ter sido uma morte forjada e até de a própria CIA ter assassinado Jim, e que o governo norte-americano também estaria por trás da morte de outros “J” – Janis Joplin e Jimi Hendrix, que faleceram um ano antes de Jim e da mesma forma… Enfim, alguns mistérios permanecem sempre sem resolução. Mas não é sobre a morte de Jim que eu queria escrever, ao contrário.

Primeiramente, eu sou uma mulher de gosto eclético (adoro pop estilo Pink e Lady Gaga, gosto um pouco de sertanejo porque cresci ouvindo, amo o “brega” de Fagner, a MPB de Chico Buarque, Zé Ramalho, o som folk do Beirut e da banda Florence and the Machine, dentre tantos outros artistas e estilos diversos) entretanto há um estilo musical que marca minha vida desde a minha mais tenra infância. O rock and roll. Pra mim o rock é muito mais que um estilo musical, é uma filosofia de alma. Quando descobri a traição de meu pai, eu estava ouvindo Stairway to Heaven do Led Zeppelin e quando ele saiu de casa eu ouvia Roadhouse Blues do The Doors. Em ambos os casos, as canções foram bálsamos para uma menina desolada, sustentáculos que evitaram que eu ruísse no mesmo segundo.

Sem contar que eu cresci dançando Mamonas Assassinas, antes dos dois anos. Não sei vocês, mas pra mim Mamonas É sim Rock n’ Roll, baby. Se hoje em dia classificam uma veadagem ridícula como restart de rock, então os meninos que se vestiam como chapolin e animaram minha infância fizeram sim rock. E até hoje, não tem como não rir ao ouvir Vira-Vira.

Demonstrei um pouco do que o rock significa para mim. Quanto a The Doors, conheço os caras desde os treze anos e ganhei um CD original de um amigo do meu pai. No dia, viemos escutando no carro – papai, mamãe e eu – e a mamãe disse “É até legal esse CD. Dá pra dançar.”. Eu fiquei bastante feliz, porque ela não gosta da maioria das coisas que eu gosto.

Mas, antes, nem me importava em conhecer mais a fundo a música dos Doors. Ficava nos hits Light my Fire, Roadhouse Blues e outras menos famosas. A voz do Jim sempre me encantou – o poder da rouquidão cavernosa e a intensidade do timbre conquistam qualquer um.

Recentemente eu buscava alguma música para acompanhar na tentativa de escrever uma história que há muito estava entravada aqui na minha mente. Nada funcionava. Achei uma letra dos Doors, então, que me encantou; “Wishful Sinful”. Resolvi ouvir a música e me encantei. A história fluiu e saiu muito melhor do que eu jamais imaginara… Parecia que a voz do Jim tinha me dado a história, eu só a havia transcrito.

Daí, na segunda-feira eu fui numa livraria e achei um livro cujo título era “Jim Morrison por ele mesmo”. Empolgada, comprei. Li em uma semana. As minhas amigas disseram que era muito engraçado me ver lendo, porque eu dava pulinhos, ria e parecia uma doida. Eu nem tinha consciência disso.

No livro tinha menções a Orfeu (referindo-se a Jim), Ofélia (num poema do próprio Jim), Nietzche, Artaud, Rimbaud, Baudalaire… Encantei-me totalmente. Assim como a descrição sobre a história do Jim desde a infância, de suas influências, de sua composição, do modo como fundou o Doors e pelo fato de o nome da banda ter sido tirado de uma frase do William Blake –  “Se as portas da percepção estivessem limpas, tudo apareceria para o homem tal como é: infinito.”. Antes do final do livro, eu já estava apaixonada.

É uma obra interessantíssima. Mostra não só as facetas geniais de Morrison – como vocalista, compositor, diretor e poeta – mas também o lado do bebum chato, do viciado e do cara que podia enrolar os fãs numa apresentação extremamente enfadonha quando estava alucinado.

O interessante é que passei a ouvir os Doors novamente e percebi o quão cartática e onírica é a música dos caras. É o tipo de música que você tem de ouvir com as luzes desligadas, as portas fechadas e a mente aberta. É algo arrebatador. Como o próprio Jim declarou em uma entrevista, o som dos Doors é um orgasmo emocional. E digo que não só pelo vocalista, mas pelo grupo como um todo: Manzarek, Krieger e Densmore. Assistindo aos vídeos da melhor fase da banda, é impressionante a sintonia que eles tinham e o modo como as apresentações eram cênicas, preenchidas pela beleza erótica das danças loucas e dos pulos do Jim e o modo como os meninos tocavam seus instrumentos de uma forma totalmente extasiada.

Nem é preciso dizer que agora sou fã verdadeira e definitiva dos Doors – mas minha banda de rock preferida é e sempre será Aerosmith. Eles significaram muito para a geração da transição da década de 60 para a de 70, que vivenciava a Guerra Fria e o conflito do Vietnã. A música Unknown Soldier é de um poder tamanho. Você pode sentir algo daquele período, especialmente na parte:

And it’s all over
For the unknown soldier.
It’s all over
For the unknown soldier.

Sem contar que os Doors fizeram uma música trangressora, orgástica, rebelde e louca a tal ponto que alguns hipócritas começaram uma Caminhada pela Decência apoiados pelo puto do Nixon por causa de um show onde o Jim convocou a platéia a ser livre.

Bom, a influência dos Doors é tal que trinta e nove anos após a morte de seu vocalista aqui está uma jovem de dezesseis anos escrevendo apaixonadamente sobre eles.

E não há como não se apaixonar por Jim, esse Dionísio, esse Fausto, esse Orfeu, esse Doutor Jekyll do rock. Como disse Densmore, o homem que “começou como Dionísio, passou a Nietzche e terminou como Rimbaud.”.

Descanse em paz, Jim. Tenho certeza que os anjos dançam ao som da sua voz.

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