Au revoir, Dionísio

Meu dia foi lindo. Sério mesmo. Acordei às quatro da manhã e consegui ver um nascer do sol! Foi lindíssimo! Depois cozinhei – e minha cozinha sobreviveu! Estudei química com um certo vigor que eu pensava não ter mais, principalmente nas férias… Fiquei feliz por me sair bem nas questões do ENEM que eu fiz. Depois, sai às compras… Comprei presentes para grandes amigas minhas, milkshake pro meu irmão e presentes de aniversário para minha mãe – que faz anos dia 24 de julho.

 Cheguei em casa e sai de novo. Fui a locadora e consegui meu cobiçado “The Doors” do Oliver Stone além de me embrenhar com meu irmão mais velho em cantos remotos da cidade. Nessa viagem, entretanto, o bacana mesmo foi ir a um abrigo de meninos que tem aqui perto de casa. Eu levei alguns brinquedos a eles e recebi abraços e entusiasmados agradecimentos. Sabe, a felicidade de ter ido lá com as crianças foi genuína. Um calor que me confirmou que o sorriso de uma criança é sim a coisa mais valiosa do mundo. É como um diamante. Melhor, vale mais que um.

Não estou postando isso aqui por altruísmo. Não sou sonsa nem santa. Só quero repassar o quão bem me sinto por te ido lá! Foi muito bacana. Uma das crianças tinha uma blusa do Batman! Adorei isso!

Mas não acaba aí… Depois de tudo, fui malhar. E pedi pra colocar The Doors no som. E colocaram! Cara, ouvir músicas de quarenta anos atrás tocando numa academia moderna foi como a vingança dos nerds, sabe? Bom, acabei de malhar e peguei o CD de volta. Então começou uma tempestade torrencial e eu e minha irmã saímos correndo embaixo da chuva. Eu tomei banho de chuva, gente! Foi maravilhoso… O frio da chuva, o vento, os gritos que eu dava quandor trovejava e as doidices da minha irmã… Gente, meu dia foi lindo! Agradeço a Deus pela vida ser tão bela, tão plena e por eu ser saudável.

Agora, estou aqui, mas o post não foi para falar sobre meu dia… Só que não pude deixar de fazê-lo! Ah, a vida é muito bonita, como disse Katherine Howard em sua execução em The Tudors.

Esse post é, digamos, minha despedida de férias a Jim Morrison. Passei as férias divinamente embalada pelo Rei Lagarto. Dancei, ri, chorei, escrevi e malhei ao som da voz profunda e cavernosa de Jimmy, sempre me tragando para o fundo poético, genial e insano de sua música. Uma música de quarenta anos atrás, mas que ainda é tão vivaz, tão marcante e intensa que tornou-se atemporal.

Estou intensamente apaixonada pelo vocalista e pela banda. Espero que não seja como minhas tantas paixões, ou seja, que não seja varrida pelo verão. Quero que meus filhos ouçam Doors.

 Bom, mas vamos ao âmago do post. Achei um excerto do meu amado Nietzche que simplesmente quase me fez chorar de tão lindo e de tão parecido com o Jim! Eu o declamei em voz alta, a uma da madrugada, enquanto ouvia “Not to Touch the Earth”, sozinha na sala. Claro, mamãe ouviu aquela arrumação e foi ver e constatou que deu a luz a uma pirada. Eu sempre disse isso pra ela, mas ela só acreditou quando viu. *risos*

Vou transcrever aqui o tal texto, destacando as partes que mais me lembram o Jim:

 “É noite: falam agora mais alto todas as fontes que jorram. E também minha alma é uma fonte que jorra.

É noite: desperam somente agora os cantos dos amantes. E também minha alma é o canto de um amante.

Algo insaciado, insaciável está em mim, que quer se pronunciar. Um anseio de amor está em mim, que fala ele mesmo a linguagem do amor.

Luz sou eu: ah,  fosse eu noite! Mas esta é minha solidão: estar cingido de luz.

Ah,  fosse eu escuro e noturnal! Como desejaria sugar do peito da luz!

E também a vós desejaria abençoar, pequenos lumes estelares e vagalumes lá no alto! – e ser feliz à vossa dádiva de luz.

Mas vivo na minha própria luz, sorvo de novo em mim as chamas que de mim saem.

Não conheço a felicidade dos que recebem; e tantas vezes sonhei ser a ventura do roubar inda maior que a do ganhar.

Eis a minha pobreza: que a minha mão jamais cesse de dar; eis a minha inveja: que eu veja olhos expectantes e as noites iluminadas de desejo.

Ó desventura dos dadivosos! Ó anoitecer do meu sol! Ó anseio de ansiar! Ó fome na saciedade!

Eles recebem de mim: mas tocarei ainda a sua alma? Há um hiato entre dar e receber; e o hiato menor é o último a ser transporto.

Uma fome nasce da minha beleza: gostaria de magoar aqueles que ilumino, de assaltar os que presenteio –  tenho fome de maldade.

Tal vingança planeja a minha plenitude, tal perfídia brota da minha solidão.

Minha ventura ao dar morreu ao dar, minha virtude cansou-se de si mesma em seu excesso!

O perigo, para quem sempre dá, está em perder o pudor; a quem sempre reparte formam-se, de repartir, calos na mão e no coração.

Meu olho já não lacrimeja ante o pudor dos que pedem; minha mão endureceu demais, para sentir o tremor das mãos cheias.

Para onde foram as lágrimas dos meus olhos e a penugem do meu coração? Ó solidão dos dadivosos! Ó silêncio dos luminosos!

Muitos sóis circulam nos espaços vazios: a tudo escuro fala sua luz – a mim silenciam.

Ó, esta é a hostilidade da luz ao luminoso: impiedosa percorre ela sua órbita.

Injusto no mais fundo para com o luminoso, frio para com sóis – assim corre cada sol.

Como uma tempestade percorrem suas órbitas os sóis. Seguem sua vontade inexorável: eis sua frieza.

Ó seres escuros, noturnais, somente vós retirais calor do luminoso! Somente vós bebeis o bálsamo e o leite dos úberes de luz!

Ah, há gelo em volta de mim, minha mão se queima no gelo! Ah, há sede em mim e grita por vossa sede!

É noite: ah, que eu tenha de ser luz! E sede do noturno! E solidão!

É noite: como uma nascente irrompe meu exigir – falar me exige.

É noite: falam agora mais alto todas as fontes que jorram. E também minha alma é uma fonte que jorra.

É noite: despertam agora os cantos dos amantes. E também minha alma é o canto de um amante.”.

Assim falou Zaratustra – Frierich Nietzche

 

Agora, segundo o próprio Jim:

I am the Lizard King
I can do anything
Not to touch the earth –  The Doors

 

The King Lizard

The King Lizard

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1 comentário

  1. Delph · julho 23, 2010

    Que férias perfeitas. Esse é um dia que você jamais vai esquecer!

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