A Igreja de Santo Alexandre

O significado da palavra “Barroco” designava primeiramente uma pérola disforme. Esse período literário foi “emparedado”, como o simbolista Cruz e Sousa, pelo Classicismo, do século XVI, de um lado e o Arcadismo-Neoclassicismo, do século XVIII, de outro. Assim, o Barroco ficou para a posterioridade como uma degenerecência da Arte Clássica, resgatada pelos renascentistas e pelos iluministas. Mas que injustiça, eu penso agora.

Apenas agora por que acabo de retornar da visita, com minha mãe, irmã e sobrinha, a Igreja de Santo Alexandre. O lugar é a glória do Barroco no Pará, construído pela mão de obra indígena sob coordenação jesuítas. Eu atribuo metade a metade da beleza transcedental daquele lugar tanto aos jesuítas quanto aos indíos, em igual importância.

Fachada da Igreja de Santo Alexandre

Fachada da Igreja de Santo Alexandre

Nem tenho como expressar a soberania do lugar. É lindo, tanto a parte da Igreja – que só é utilizada em eventos pagos – quanto o complexo do Museu de Arte Sacra.

Nem sei o que dizer das estátuas, pinturas e da arquitetura. Têm todas as características do Barroco, como a arte do mineiro Aleijadinho, com as ondulações, a assimetria, a expressão intensa no rosto das figuras… Mas não é  só isso que marca, sabe? O que tange a alma de qualquer um que contemple as obras lá dentro é a intensidade daquilo. Enquanto circulava lá dentro, eu só conseguia pensar que estava diante de um milagre da arte humana.

Tudo, mas principalmente as estátuas, expressam uma vivacidade sentimental que chega a essência do observador. Tem uma figura de Cristo morto e ensanguentado que é tão real que me deixou sem palavras. Por alguns ilusórios momentos, eu cheguei a pensar que estava vendo um ser de carne e osso diante de mim.

Eu não perdi minha visão crítica, não obstante. Assimilando o arrebatador estado em que me encontro ao sair de lá, consigo entender como a Igreja conseguiu dominar o mundo e sobreviver a queda de Roma, a morte do Feudalismo e a chegada da Idade Moderna. Aposto que ela pode sobreviver se o capitalismo morrer. E consigo entender como os indíos foram catequizados com tanta força na Amazônia. É bom saber que eu consigo pensar mesmo diante de tão soberana beleza artística.

Se algum de meus leitores visitar Belém do Pará, não deixem de visitar a Igreja de Santo Alexandre, na Cidade Velha. Você não se arrependerá.

Estátua em Santo Alexandre

Estátua em Santo Alexandre

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