O que está acontecendo, no mais fundo do meu coração.

Eu não admitiria, mas acho que não tem mais jeito. Tem um milhão de coisas aqui no meu coração que precisam ser expostas, sanadas – talvez assim eu as entenda melhor.

Não sei se estou numa crise pessoal. Crise não é a palavra certa… Sim, eu tive uns ataques de choradeira e tudo o mais em alguns momentos, mas foram coisas efêmeras. Acho que é mais o momento em que estou tentando exercer minha visão crítica sobre mim mesma.

Às vezes eu me sinto tão culpada por ainda me dar o direito de sonhar e de ser ingênua. Por que é mais ou menos como na peça “Cândido – ou o Otimismo” de Voltaire… O mundo é amargo demais para você tentar ser bom com outros. Na verdade, não é “o mundo”. “O mundo” não é amargo, os seres humanos é que o são.

Como eu disse uma vez a uma amiga, os seres humanos nos mostram sempre seu pior lado, na grande maioria das vezes.

Aprender a lidar com essa faceta cruel da natureza humana nunca é fácil. Você terá um longo caminho de desespero e lágrimas pela frente até aprender que nunca se conhece a ninguém, nem a si mesmo, plenamente. O mais fácil para não ser tão devastado nas decepções que a maioria dos relacionamentos (de qualquer natureza, seja fraternal ou romântico) é estar sempre esperando pelo pior. Ame com a consciência de que o desagradável faz parte da vida. Esse é um sincero conselho de quem já teve  algumas experiências consideráveis nesse aspecto.

Amor, está aí o outro eixo da meu atual momento. Eu sou obcecada com o amor. Quero amar e ser amada com toda minha alma. Não obstante, sei agora que isso é quase que impossível pra mim. A sociedade é superficial e fútil demais para abarcar a concepção de amor que guardo dentro de mim. Um amor que não é mera ladainha temporária. O amor que anseio aqui no fundo de meu peito de poeta inexperiente é um que um tal de Platão descreveu numa obra chamada de “O Banquete”. Um amor esse que tive um vislumbre tão doce e tão proibido que minha alma quer chorar com a lembrança.

Quero superar isso, sinceramente. Quero deixar de depender tão loucamente de um amor que não pode acontecer pra mim, na realidade em que vivo. Quero crescer e virar uma femme fatale do Raymond Chandler… Ser independente, poderosa e realista . Poderei me apresentar: “Elizabeth Mayfield, prazer”.

Enquanto isso não acontece, entretanto, vou ter que me contentar em ser o que sou. Essa Yasmim tão boba, sonhadora e idiota.

Quem sabe eu ainda
Sou uma garotinha
Esperando o ônibus
Da escola, sozinha…

Cansada com minhas
Meias três quartos
Rezando baixo
Pelos cantos
Por ser uma menina má…

Quem sabe o príncipe
Virou um chato
Que vive dando
No meu saco
Quem sabe a vida
É não sonhar…

Eu só peço a Deus
Um pouco de malandragem
Pois sou criança
E não conheço a verdade
Eu sou poeta
E não aprendi a amar
Eu sou poeta
E não aprendi a amar…

Malandragem – Cássia Eller

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1 comentário

  1. Delph · setembro 5, 2010

    Yasmim, aos poucos vejo os seus sentimentos fazerem a mesma via sacra dos meus na sua idade. É incrivelmente estranho. Acabei de ler e em várias linhas acabei me lembrando de passagens idênticas da minha adolescência. Será que todo mundo passa por isso? Amar sozinha não existe, ou melhor, existe e é bastante confortável. A gente ama uma coisa que não pode ter e ficamos contentes com aquela imagem idealizada, que não pode fazer mal nenhum a nós. Isso não é certo. Só acaba quando o objeto do amor sai do nosso ângulo de visão para sempre, ou quando a realidade dele (com todos os defeitos inerentes a ela) dá um soco na nossa cara. Desde que parei de amar sozinha, que mandei essa coisa de amor platônico para o melhor lugar possível (com o perdão da sigla: para a PQP), nunca mais amei ninguém. Isso quer dizer que ainda não apareceu ninguém que despertasse meus sentimentos e correspondesse, que é o mais importante. Amor de poesia não existe, Yasmim. É bonito de ler mas a verdade dele só se restringe ao papel e você não tem que se mortificar por causa disso, por tão pouco. Procure a vida nas coisas reais. Não critique o mundo, não sofra por ele ser assim, apenas aceite. É sofrer de graça! Você só tem que se preocupar consigo mesma e com as pessoas que te fazem bem, com a sua família. O resto é o resto. E a tal ingenuidade aos poucos vai embora, acredite. Tenha paciência que um dia todos nós deixamos de ser criaturas emocionais para nos tornarmos criaturas racionais.

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