E mais uma vez…

Entra ano e sai ano e o quadro é o mesmo. Quer dizer, não o mesmo, a  cada vez fica pior, mais digno de lamentação – a cada ano mais vidas ceifadas e mais destruição.

Sim, estou falando das chuvas e enchentes que são o temor de muitas pessoas no começo do ano, em diversos pontos do país. Já no final de 2010 as tragédias se multiplacaram em Minas Gerais, agora passaram a ser mais intensas em São Paulo, mas, principalmente, no Rio de Janeiro (onde a própria geografia natural da área já requer minusciosos cuidados prévios ). E embora a mídia alardeie principalmente o panorama do Sul-Sudeste, aqui no Norte-Nordeste esse tipo de acontecimento também é extremamente constante por causa das chuvas – ou seja é um mal que abate todo o país e que o governo não toma nenhuma atitude drástica para pôr fim a isso.

Assistencialismo tardio é como um curativo num ferimento grave: estanca o fluxo, mas não cura. É apenas provisório. E aparentemente é tudo o que, gestão após gestão, vemos nesse país, ao invés de vermos a definitiva solução através de uma mudança infra-estrutural que inclui remanejamento das pessoas da área de risco, criação de moradia adequada em locais seguros e criação de áreas verdes que preservem/resgatem o equilíbrio geológico (pois o assoreamento tem grande influência nesses deslizamentos de terra).

 Não adianta tampar o sol com a peneira e dizer que no Brasil não tem desastre ambiental, crendo, de forma ignorante, que desastres são apenas tufões, furacões, tsunamis e terremotos. Todo o drama causado pela chuva a nível nacional é o nosso desastre ambiental. O Brasil ocupa o ranking de quinto país com maiores danos causados como reflexo do clima. Claro, a culpa não é da Natureza, mas sim do ser humano que sabe a cartilha da desgraça de có e salteado ano após ano e não muda essa situação. É revoltante, triste e indigno ver tantas pessoas passarem por isso.

A culpa, também, não é toda do governo. É claro, há falta, mas é contraditório pensar que no mesmo Rio de Janeiro do desastre há uma festa para receber um astro decadente. Minha gente, vamos acordar! Enquanto vocês comemoram o dentuço, o pessoal está morrendo, porra! Vamos é pôr a mão na massa e sair a rua para protestar, para lutar pelos direitos de moradia digna que a condição de cidadão exige! Bom, nós falamos mal dos argentinos, mas convenhamos que pelo menos, quando foi preciso, eles souberam sair para bater panelas. E a gente? Nem isso. Sendo que nós vivemos no paraíso da corrupção e no puteiro da impunidade né? Imagine se fosse um país sério!

Bom, estamos em um novo governo e espero que nessa gestão vejamos mudanças verdadeiras e essenciais acontecendo. Ninguém mais pode se contentar com curativos improvisados, o sangue já é muito.

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