Um conto de liberdade vindo da mente louca de Zack Snyder

Mais uma vez Zack Snyder me deu um orgasmo mental. Quando eu pensava que meu deleite com as adaptações de 300 e Watchmen fosse o máximo, ele me dá a loucura de Sucker Punch.

A proposta do filme é ousada: A trama gira ao redor de Babydoll, que é internada em um manicômio e destinada a lobotomia, mas que descobre que pode escapar do destino cruel se conseguir cinco itens (dos quais apenas quatro são conhecidos, o último é um enigma que cabe a protagonista descobrir) e se passa em três planos (a realidade do hospício, uma “dimensão paralela” de que é uma adaptação da realidade e o delírio puro onde se passam desvairadas lutas). De início, lendo minha descrição talvez você imagine um Moulin Rouge escrito por Nelson Rodrigues, como os planos de Vestido de Noiva. Bom, na vulgata é por aí, só adicione as cataclismáticas cenas de ação de Matrix e uma boa dose da filosofia Socrática. E aí está Sucker Punch, em toda a glória Snyderiana.

É uma história sobre liberdade, sobre a auto-descoberta, o espírito de equipe e o enfrentar de dificuldades. É através da jornada de Babydoll que o espectador vai descobrindo o que cada um desses tópicos significa na visão de Snyder. A busca pela condição de ser livre é o mais interessante de todos, pois nesse filme – tal qual em Cisne Negro – significa dor, sangue e perca – para encontrar a verdadeira sublimação no final da história, para encontrar o significado verdadeiro da palavra “libertação”: algo que é mais violentamente profundo e doloroso do que nós podemos encarar, algo que envolve os canônes selvagens e deliciosos da fuga de Jack Kerouac em On the Road, mas com a pitada de abismal de sacríficio como os que fizeram os guerrilheiros na ditadura, acabando numa sala de tortura apenas por lutar por seus sonhos. E tudo isso é o que o filme mostra, em sua forma surreal, mas ao mesmo tempo literal e brutal – como o mentor de Babydoll diz “O sacríficio será grande e profundo, mas a vitória será absoluta“.

Apesar das sequências de ação impossíveis, o filme não deixa de explorar temas tão reais e onipresentes no dia-a-dia que se torna crítico: A condição da mulher e a violenta submissão que homens tentam impôr ao nosso sexo até hoje; a condição quase escrava da prostituição tal qual as condições (sub e) desumanas as quais estão submetidas muitas pessoas que são ignoradas pelo Estado ao redor do mundo – sim, do nosso mundo cruelmente real, sem nenhuma dimensão paralela como válvula de escape.

E é aí que o filme se mostra genial: Prostitutas escravas viram guerreiras de sangue frio e a dança – uma comunhão do corpo, da alma e da mente – é a metáfora para essa luta; o que nos diz que não importa qual a qualidade da sua arma, ela vai funcionar se você souber como usá-la.

Mas é a mensagem do final, na voz retumbante de Carla Gurgino, que te toca. Violentamente. Quando é revelada a chave da libertação: “Você” e começa aquela música impactante e estrondosa. É como um soco bem forte no meio da sua cara.

É isso que Sucker Puncher é: um soco bem forte, no meio da sua cara.

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1 comentário

  1. Delph · abril 2, 2011

    Nunca um filme de ação quase me fez chorar como esse. Se tivesse mais gente no cinema eu teria puxado aplausos.

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