O xamã e a sacerdotisa

O xamã e a sacerdotisa

O xamã e a sacerdotisa

Sou uma mestra em estabelecer comparações entre as criaturas que eu amo, então vamos lá.  Esses últimos tempos eu ando ouvindo muito Florence and the Machine. Nem preciso dizer que ouço The Doors todo o tempo, o tempo todo desde… Quase desde os treze, de uma forma ou de outra.

Com um cenário musical tão pobre atualmente, o simples fato de Jim Morrison ter existido é um lenitivo para alma (e para os ouvidos, naturalmente). E o mundo da música seguia entre cantoras gagas repetitivas, moleques afeminados com roupinhas ridículas e decepção pura para quem precisa de música de verdade… Eis que surge.

Do meio do caos, vinda como uma lua cheia para iluminar uma noite escura, Florence Welch apareceu. Lembro da primeira vez que ouvi Dog Days Are Over num vídeo sobre Ana Bolena. Achei tão lindo, fiquei encantada. Depois que ouvi Lungs, o primeiro CD do grupo que a cantora compõem; Florence and the Machine, a minha admiração só se firmou. Com o recente single What the Water Gave Me, Florence chegou, para mim, num patamar de deusa musical. O mesmo patamar que Jim Morrison atingiu da primeira vez que eu ouvi Light My Fire, lá no início da minha puberdade.

E agora, eles estão lá no meu bastião de estrelas da música.

O que diferencia Jim e Florence dos outros cantores é a incrível, profunda e, por vezes, quase insana poesia que emana desses dois. Eles parecem respirar lirismo e escrever versos da mais pura beleza a cada vez que o pulmão se expande para capturar oxigênio.

E são selvagens, rebentando qualquer limite da indiferença em qualquer ouvinte. São interpretações transcendentais que ambos nos presenteiam, especialmente nas apresentações ao vivo – onde Morrison incorpora o xamã do Rock e Florence se mostra a sacerdotisa pagã do indie moderno. Ou talvez, já que falamos de deuses, na música, eles sejam respectivamente Dionísio – o deus da orgia e do vinho, eternamente conhecido por induzir transes em seus fiéis – e Perséfone – esposa raptada por Hades, eternamente dividida entre a alegria da primavera na Terra e a tristeza do inverno nos confins do reino do marido.

São a prova viva da possibilidade da música de ser arrebatadora e encantadora. E embora as esperanças com a Música atual sejam poucas, eles sempre me lembrarão que a Música, acima de tudo, tem a missão de tocar a alma do ouvinte.

Jim Morrison e Florence Welch fazem isso com perfeição.

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1 comentário

  1. Marcos · setembro 17, 2011

    Não conheço o trabalho do Jim. Mas concordo com td oq vc disse sobre o Florence… Se você vê ela dando entrevistas, ela tem uma voz meiga, qse infantil… E qdo ela canta aquela voz poderosa, parece mesmo uma deusa. Texto muito bem escrito, parabéns.

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