It could be paradise

Acho que dei um belo de um sumiço por aqui, não? Quer dizer, passei meses sem postar algo realmente elaborado e estou voltando agora, aos poucos.

Mas eu senti muita falta de escrever aqui e esse post é uma overview de como foi o ano de 2011 para essa moça que vos escreve.

Bom, se eu fosse definir 2011 em uma palavra eu escolheria “dinamismo”, por que realmente, a última coisa que me aconteceu foi a oportunidade de ficar parada. Eu ingressei a vida universitária e no segundo semestre foi realmente uma loucura, eu tive uns duzentos seminários seguidos, montes de coisas para ler (em inglês) e tudo ainda coroado pela elaboração de um projeto de pesquisa, fora que eu me tornei professora de reforço e ainda retornei as Artes Marciais, começando a treinar Muay Thai e também ingressei no Pole Dance. Ou seja, tinha dias em que eu ficava na facul até uma hora da tarde, dava aula das duas da tarde até as seis, e saia as sete horas pra pegar o busão para o treino, às oito. E dia de sábado também era outra loucura, acordar cedo pra ir pro CCAA das oito às onze, depois das uma às duas e meia treino de pole dance e daí dar aula das três da tarde até nove e meia da noite, às vezes até dez. E dia de terça e quinta, eu dava aula das duas às nove e meia.  Ou seja, loucura pura.

E ao mesmo tempo em que era cansativo até a alma, era revigorante até a alma. Momentos inesquecíveis. Voltar para casa no Tapanã-Felipe Patroni com meus amigos, fazer uma peça montada num cavalinho de plástico para conseguir um dez em Panorama Histórico da Língua Inglesa,  meu primeiro congresso universitário, os treinos de calejamento no Muay Thai chutando pneu, ver o mundo de cabeça para baixo no pole e descobrindo que sob seus alunos danados do reforço se escondem guris e gurias muito inteligentes e filosóficos.

Minhas crianças do reforços eram geniais e atentadas, me enlouqueciam totalmente. Mas se elas não fossem loucas e incríveis, elas não seriam minhas crianças. Meus alunos do reforço foram realmente uma experiencia gratificante, em todos os sentidos possíveis. Eles me ensinaram muito como ensinar, e me ensinaram que também que tenho muito a aprender, eles me mostraram meus defeitos e qualidades e me mostraram que eu nunca devo me deixar enganar  – debaixo do aluno mais atentado da sala pode se esconder um indivíduo genial que cai na anarquia por irresponsabilidade e por um sistema de ensino arcaico e falho.

Aprendi esse ano que quando vc pratica um esporte, vc não está atrás só da prática atlética, vc está atrás da catarse. Porque cada treino no muay e no pole significam pra mim superação – descobri que posso chutar um pneu até curvá-lo e se minha canela sangrar nunca vai doer mais que o abandono do meu pai e de todos os outros que eu amei e me traíram. Em 2011 descobri que dá um medo danado ficar de cabeça pra baixo, mas o mundo é muito mais bonito assim, de cabeça pra baixo mesmo. Descobri que muito mais do que ter um chute e um soco potentes e perder calorias, quando eu bato eu não quero só ser forte, eu quero exorcizar meus demônios. No Pole, eu aprendi que beleza e sensualidade são partes essenciais de qualquer movimento e aprendi também que às vezes a coisa mais suprema do mundo pode ser vc conseguir fazer aquele giro, o simples fato de conseguir fazer aquele movimento que vc jurava que nunca ia conseguir fazer.

Duas lindas crianças da minha vida me ensinaram que a coisa mais deliciosa de um dia pode ser chegar e ver as doidices da infância, que não há coisa mais gostosa do que dar gargalhada com meus pequenos ou então simplesmente se deliciar com aquela palavra nova que eles aprenderam. Não há nada mais belo e doloroso do que o primeiro dia de aula de uma criança. Neto e Clara, meus sobrinhos lindos, eu amo vcs!

meus babies

meus babies

Minha família me ensinou que nunca importa quanto ruim a coisa toda esteja, se a gente lutar o suficiente, tudo fica bem e volta para o seu devido lugar.  Minha família ensinou que ter paciência é fundamental e que no final, toda a dor não importa, por mais difícil que a vida esteja, sempre haverá algum motivo para sorrir, para gargalhar ou para sonhar.

Família...

Família...

E esse ano também conheci novas pessoas, pessoas maravilhosas e loucas que, como disse Kerouac, são “aqueles que nunca bocejam ou dizem uma coisa normal, mas queimam, queimam, queimam, como fabulosas velas amarelas romanas explodindo como aranhas pelas estrelas.”. Foram meus amigos e colegas da facul – que estudaram comigo, que derramaram coca-cola quando o busão passou voando pela lombada, que brindaram com copos de plástico no aniversário da Bianca, que se amontoaram numa sala apertada cheia de cachorros loucos para ver filme sem legenda, que me aguentaram dançando Florence a beira do rio. Eles me fizeram rir e me deixaram acompanhar no choro, e compartilharam histórias, segredos e codinomes ultra-secretos. Espero que o ano que vem nos preserve juntos!

povo da facul

povo da facul

Continuou comigo em 2011 meu lindo e amadíssimo James Douglas Morrison, sempre presente, com a sua poesia, sua música, sua beleza e sua loucura. Jim, com sua beleza surrealmente perfeita de um deus grego à la Dionísio ou Apolo, sempre me dando força e sabedoria, sempre o ombro amigo cheio de compreensão e paz. Jim, que me fez sua escrava eterna, Jim que me tornou sua mênade, eternamente apaixonada por sua vida e sua obra, eternamente compromissada em divulgar seu trabalho. Jim, em cada canto da minha vida, Jim, em cada pequeno canto do meu dia. Jim, eu te amo.

Jim

Jim

E esse ano, uma deusa ruiva com uma voz de furacão aprofundou sua marca na minha vida. Florence Welch com o seu Ceremonials me libertaram, me ajudaram a fechar uma porta que há muito estava aberta, me ajudaram a encarar meus medos e demônios interiores.  Florence trouxe Kahlo, Wolf e todo um misticismo poético e sombrio para minha vida, sempre estando ali, sempre compreendendo os mais profundos e complexos sentimentos femininos meus – as perdas, os medos, as derrotas, as desilusões, as escolhas… Florence, alguém que se fez mais presente e que espero que nunca me abandone.

Florence

Florence

Enfim, esse foi meu ano.

Espero que 2012 seja ainda melhor.

 

FELIZ ANO NOVO!

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2 comentários

  1. Ane Rainey · dezembro 31, 2011

    Uh! Lindo texto, Yas, parabéns! *-* E digo novamente: amei seu novo template, combinou demais com o blog. *o*

    Neto e Clara são uns fofos. Neto, o mais novo fã de Doors, xD

    Feliz 2012 pra ti! o/

  2. the Black Sheep · dezembro 31, 2011

    Égua do ano corrido, vou te contar, me deu cansaço só de ler essa tua rotina -_-‘
    Foi um prazer ter te conhecido, você também é uma vela romana na minha vida, com um pavio curto e pouquíssima sutileza, mas agora você também compõe meus pedacinhos que fazem ser quem eu sou o/
    Obrigada por ter se juntado a nossa Congregação Bagunceira do Tapaxu e não ter meio-termos pra dizer o que realmente quer dizer, isso me inspira muito (embora eu saiba que nunca vou ter tanta coragem como tu pra algumas coisas – essas que envolvem seres dos nossos codinomes).

    Enfim, foram as tragédias e as alegrias, a sua raiva furacão e as nossas gargalhadas estridentes que fizeram esse ano o ano de 2011, e sei que não haverá outro ano como esse. Então, vamos ver uma injeção de cálcio enriquecido nessa nossa amizade que está apenas engatinhando mas que vai se fortalecer nesses quatro anos e os mais que virão, porque não pretendo te abandonar, sua linda!

    Ainda vou ler teu livro em capa dura, vais ver XD

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