American Beauty – e a ninfeta como veículo de libertação

Beleza Americana

Beleza Americana

A imagem acima fala mais do que eu jamais poderia dizer, não?

Com certeza, mas como sou chata, vou escrever mesmo assim.

Eu poderia escrever sobre o filme, American Beauty, mas muito já foi escrito sobre o enredo em si, sobre o que é a “beleza” do título, mas dessa vez, não. Dessa vez eu vou lavar a alma, sendo do contra.

Digam o que quiser, mas a ninfeta (Angela Hayes) é a força motriz do filme. E a ninfeta não é a Angela Hayes (não apenas ela). A ninfeta é todo o sonho que Lester constrói ao redor dela. E é sobre isso que eu queria escrever.

A Angela em si é uma menina fútil e mentirosa que em pouco influencia no enredo, mas sua imagem – pura, juvenil, fresca, é o que move Lester a mudar a sua vida. A verdadeira força do filme é a cena ápice – Angela no teto, cercada de pétalas vermelhas, deixando-as cair e provocando Lester com sua magnitude Nabokoviana.

Sim, por que tudo começou com esse radical: Nabokov e sua lendária Lolita.

Lolita (Dominique Swain)

Lolita (Dominique Swain)

 

E falem o que quiser, mas se não fosse pela fantasia criada por Nabokov, American Beuty não seria tão genial. Angela envolta em rosas é o símbolo da perfeição, da juventude, do vigor e de tudo que Lester perdera. Direta ou indiretamente, ela é a maior responsável por todos os fatos. Se não fosse pela cativante fantasia que Angela fez com que Lester criasse, nada daquilo teria acontecido – provavelmente, ele teria vivido até uma idade avançada, com a mesma esposa e totalmente distante de sua filha. Mas quando ele acha aquela fantasia, aquele ideal, é o que faz tudo entrar em movimento.

A ninfeta das rosas vermelhas faz com que peça por peça da realidade de Lester caia, num espetáculo digno do desabar de um castelo de cartas.

E mesmo o despertar de Lester na derradeira cena final não muda  a força simbólica do personagem, pois ela desencadeou todos os fatos até ali. A não consumação do ato é um mero detalhe.

Então, sim, há um milhão de coisas lindas a serem observadas nesse filme fantástico, digno de todos os Oscars e prêmios que levou, mas eu escolhi essa face – A ninfeta – por que de certa forma senti que ela foi desprezada. É, o pessoal foca no “despertar” de Lester da fantasia? Quem liga para o despertar? Se não fosse pela fantasia em si, nada teria acontecido!

Foi a fantasia na cabeça de Lester que fez com que ele decidisse mudar o corpo, se demitir, encarar o quão fracassada era a sua família, que o fez voltar a ouvir Pink Floyd. Foi isso que fez o homem mudar totalmente, foi isso que o fez recuperar  a vontade de viver! Foi – no final das contas – Lolita. Sempre, é Lolita, um pequeno demônio em forma de menina que domina totalmente sua vida.

Talvez eu seja uma fetichista, ex-ninfeta e amante de sonhos. Sim, sou tudo isso.

Mas, oh, quem não fica deslumbrado com o poder da pequena ninfa loura banhada por pétalas vermelhas?

 

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1 comentário

  1. Samuel · maio 8, 2012

    hahah

    vc é impressionante para sua pouca idade. Que grande percepção e referências…

    Legal!

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