The White Queen – Quando História vira Carne

The White Queen

The White Queen

A história da Inglaterra me encanta desde a infância. Nem lembro por que, só lembro que quando  chegava numa livraria ou banca de revista com meus pais, me encantava ficar horas fitando aquelas imagens antigas e lendo sobre pessoas que viveram tanto tempo antes de mim. A fascinação nunca me abandonou e me acompanha mesmo hoje em dia, o que me faz sempre estar procurando e lendo sobre a incrível trajetória dessa nação; muito apaixonante e encantadora.

Por que quem conhece sabe que existem poucos países com uma trajetória tão  complexa e bela  quanto a inglesa. O que particularmente  me encanta na Inglaterra e sua formação enquanto nação e sua posterior monarquia é a maneira como tudo é visceralmente humano, profundamente cheio de emoção e de dramas que se passam com cada um, todos os dias. Quer dizer, apesar de ser realeza e monarquia, o que me encantou sempre foi tentar despir as figuras históricas de seu manto austero dos livros didáticos e enxergar os seres humanos ali embaixo, atormentados e apaixonados, que nem consigo mesmo sabiam lidar, mas que tinham que guiar uma Inglaterra muitas vezes fragilizada e dependente de um governo firme para se manter unida.

Recentemente, as produções ocidentais de TV e filme tem comprado essa visão mais humana e transformado os trabalhos sobre figuras históricas em encantadoras metáforas da natureza humana através do poder. O maior exemplo disse se mostra na gloriosa série The Tudors, que apesar de visceralmente criticada pelos “erros” históricos, continua sendo um modelo de como se destrinchar a alma de figuras canônicas. Os profissionais que me perdoem, mas eu relevo todos os “erros” em prol das visões maravilhosas que tive no seriado.

The White Queen segue basicamente a mesma proposta, transformando a Guerra das Rosas e a saga dos Plantagenatas  em um palco onde vemos homens e mulheres lutando por poder, em meio a amor, paixão, ódio e sexo. A obra baseia-se nos livros de Philippa Gregory (The White Queen, The Red Queen, The Kingmaker’s Daughter) e foi transformada para TV pela Starz e BBC one.  Confesso que comecei a assistir sem grandes expectativas e fui completamente arrebatada, tomada de corpo e alma, tanto que assisti todos os episódios lançados em um curto espaço de tempo.

Os ingleses foram ríspidos e criticaram os aspectos mais técnicos do seriado; como as roupas. Mas acho que esses são detalhes efêmeros; comparado ao modo como os personagens conseguem ser retratado em uma humanidade tocando. Tanto que me foi praticamente impossível escolher um “lado”. Oficialmente, torço pela Margaret Beaufort, mãe de Henrique VII e grande responsável pelo filho vir a se tornar Rei posteriormente, mas todos os lados apresentam algo que consegue tocar o expectador, fazer você se comover, se emocionar, se sentir tocado. Eu adoro Elizabeth, Jacquetta, Margaret d’Anjou, as irmãs Neville e tantos outros personagens, que estão ali lutando por si, por suas Casas, pelas suas crenças, cada um da sua forma, cada um com suas armas.

Inclusive, as mulheres definitivamente são o ponto forte do seriado. A perspectiva delas domina a historia; a maior prova se faz na protagonista, Elizabeth, uma mulher poderosa e muito influente, rainha consorte de Edward IV. Uma camponesa do lado Lancaster  que conseguiu tornar-se rainha e que conquistou amor e ódio na mesma proporção.  Mas todas as outras mulheres tem suas peculiaridades e sua força pessoal, sempre mostrando isso por suas ações, sempre lutando pelo que acredita.

Margaret d'Anjou

Margaret d’Anjou

E a magia particularmente me encantou no seriado.  Eu cresci doutrinada pro As Brumas de Avalon uma obra que moldou meu modo de ver o mundo e minha religiosidade e alguns princípios carrego comigo hoje mesmo e para sempre; isso também se faz presente em The White Queen sendo que Jacquetta (mãe da Rainha) e Elizabeth tem certa instrução em Magia e acreditam-se descendentes de uma deusa do Rio.  Isso torneia toda historia de ambas de uma forma bastante contundente por toda a trama e acaba sendo uma faca de dois gumes para ambas, posteriormente. Apesar de criticado, a própria Philippa Gregory explicou que almejava que o uso da magia  fosse uma das formas que as mulheres usam para subverter a matriz machista e patriarcal da sociedade medieval, como Marion Zimmer Bradley fez com a lenda do Rei Arthur.

 

 

The White Queen se faz uma obra prima da ficção histórica atual, digno de ser assistido.  Para nos lembrar sempre que História se trata de Carne, Poder, Sangue e Paixão. Nada mais, nada aquém,  nem além.

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