20 anos sem Bukowski

Buk

Buk

 

Acho que apenas o Bukowski pra me fazer voltar a escrever aqui.

Nesse dia tem exatos 20 anos, no ano em que eu nasci, 1994, o velho safado partiu (pra uma melhor ou pior? Apenas a Deusa sabe).

Bukowski  foi o primeiro escritor que eu comprei com meu primeiro dinheiro das aulas de reforço, tem uns 4 anos. Acho que Bukowski foi fundamental na minha “entrada” pra vida adulta. Eu lembro de ter captado toda a putaria e toda a crueldade da vida de “gente grande” pelas linhas  do Buk.

Uma das coisas que eu adquiri fortemente do Bukowski foi a mania de falar putaria escancaradamente, sem medo ou vergonha de ser feliz. Espero conservar isso pra sempre, embora mesmo homens tenham reclamado disso.

E acho que meu apego ao Buk e sua escrita escancarada se deve ao fato de que o conheci subsequentemente ao abandono do meu pai, a quem eu era extremamente apegada. Buk, mesmo que involuntariamente, assumiu esse posto paterno pra mim, gerando um carinho sem igual.

 

bukowski-hollywood

 

Mas por que ler Bukowski?

Por que ele escancara o lado fodido do sonho americano. Por que Bukowski responde a um principio pagão básico, o dos sentidos. Sem ideologias, Charles viveu seus sentidos – o de comer, beber, trepar e regojizar isso.

Ao mesmo tempo, Buk sempre se posiciona de forma sombria, criticando tudo que pode ser considerado comum e mainstream. Buk não foi feito para quem se posiciona de forma politicamente correta. Buk é cru, visceral, cruel.

Nada santo, um pecador convicto que escancara cada um de seus pecados – e quem sabe mesmo se orgulha deles? – Bukowski é na sua escrita dois sentidos opostos da vida: o pulsante, violento e selvagem lado do homem que quer muito mais do que aquela sociedade em que vive lhe oferece, mas que ao mesmo tempo se encontra acorrentado por ela.

Mas Buk transcende a vida material e seu legado vai ser pra sempre único.

Pra fechar, deixo-os com as palavras dele mesmo:

 

não deixe as pessoas serem
seu alicerce.

Ao invés disso
construa na areia
construa no lixão
construa na fossa
construa nos túmulos
construa na água,
mas não construa nas
pessoas.

Elas são uma aposta ruim,
a pior aposta que você pode fazer.”.

 

 

"I want the whole world or nothing"

“I want the whole world or nothing”.”

 

She lives in the city under the sea

under the sea

under the sea

She lives in the city

Ela vive na cidade

under the sea

sob o mar

Prisoner of pirates

Prisioneira de piratas

prisoner of dreams

prisioneira de sonhos

I want to be w/ her

Eu quero estar c/ ela

want her to see

quero  que ela veja

The things I’ve created

As coisas que eu criei

sea-shells that bleed

conchas marinhas que sangram

Sensitive seeds

Sementes sensíveis

of impossible warships

de navios de guerra impossíveis

poema de James Douglas Morrison

“it’s not pleasant to die on the cross,”

it's much more pleasant to hear your name whispered in the dark.

it's much more pleasant to hear your name whispered in the dark.

“I have died too many times

Eu morri tantas vezes

believing and waiting, waiting

acreditando e esperando, esperando

in a room

em um quarto

staring at a cracked ceiling

olhando para o teto rachado

waiting for the phone, a letter, a knock, a sound…

esperando por um telefonema, uma carta, uma batida, um som…

going wild inside

enlouquecendo por dentro

while she danced with strangers in nightclubs…

enquanto ela dançava com estranhos em clubes…

out of the arms of one love

fora dos braços de um amor

and into the arms of another

e dentro dos braços de outro

it’s not pleasant to die on the cross,

Não é prazeroso morrer na cruz,

it’s much more pleasant to hear your name whispered in the dark.

é  muito mais prazeroso ouvir seu nome sussurrado na escuridão.“.

Charles Bukowski

Purificação

Senhor, logo que eu vi a natureza
As lágrimas secaram.
Os meus olhos pousados na contemplação
Viveram o milagre de luz que explodia no céu.

Eu caminhei, Senhor.
Com as mãos espalmadas eu caminhei para a massa de seiva
Eu, Senhor, pobre massa sem seiva
Eu caminhei.
Nem senti a derrota tremenda
Do que era mau em mim.
A luz cresceu, cresceu interiormente
E toda me envolveu.

A ti, Senhor, gritei que estava puro
E na natureza ouvi a tua voz.
Pássaros cantaram no céu
Eu olhei para o céu e cantei e cantei.
Senti a alegria da vida
Que vivia nas flores pequenas
Senti a beleza da vida
Que morava na luz e morava no céu
E cantei e cantei.

A minha voz subiu até ti, Senhor
E tu me deste a paz.
Eu te peço, Senhor
Guarda meu coração no teu coração
Que ele é puro e simples.
Guarda a minha alma na tua alma
Que ela é bela, Senhor.
Guarda o meu espírito no teu espírito
Porque ele é a minha luz
E porque só a ti ele exalta e ama.

 

Vinicius de Moraes

Um poema erótico

Um poema lindíssimo de um grande e amado amigo!

Moreno, vem e te deita em meu leito

Que beijo-lhe o ventre subindo ao peito

Descanço em teu peito a fronte exaurida

Sentindo em teu corpo meus raios de vida

 

Teu corpo formoso que meus olhos vêem

Despertam desejos que não se retêm

Minha pele, tua pele, atrito divino

Dissipa o amor nesse tão doce ninho

 

As horas se vão e os suspiros aumentam

Os corpos trepidam unidos e cantam

Ao som de gemidos, sussurros e encantos

Encontram refúgio da dor e do pranto

 

Se hoje contorno-te o corpo beijando

Tuas formas perfeitas com as mãos desenhando

És pois em ti guarda todo meu desejo

E nada seria de mim sem teu beijo

 

Não deixe-me amado, a noite ainda chama

Por nós, os amantes, que aqui nessa cama

Proferem, de amor, grandes juras eternas

Presos, enlaçados, em braços e pernas

 

Fernando Borzzatto

O cavalo alado

Inspirado por um quadro de William Blake.

William Blake - Fiery Pegasus

William Blake - Fiery Pegasus

 

O cavalo alado

Selvagem, cavalo selvagem

Como o vento

Uma ventania fora de estação

Como o tempo

Quando perde o carrilhão

 

Cavalo alado

Voando para além do infinito

Onde tudo é nada

E nada é tudo

Onde a parte é todo

E o todo é parte

 

Cavalo alado

Selvagem, adorado

Pena que és

A minha mais pura ilusão.

 

Ofélia Imortal.

Os palácios do excesso

É sobre Jim Morrison e os Doors;

O rei lagarto,

Nos palácios do excesso,

Nos enviesados caminhos da sabedoria,

Cantando uma louca liturgia

Cantando para todas as almas perdidas

 

O rei lagarto,

Nos palácios do excesso,

Ao encontro do soldado desconhecido

De anjos e guerreiros

Num passeio enluarado,

 

O rei lagarto,

Nos palácios do excesso,

Esperando pelo sol,

Mas tudo está acabado,

As portas estão fechadas.